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  <title>cincogus 👑</title>
  <subtitle>5GU</subtitle>
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  <updated>2026-07-31T12:38:59Z</updated>
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    <title>30mg</title>
    <published>2026-07-31T12:38:59Z</published>
    <updated>2026-07-31T12:38:59Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-path-to-node="4"&gt;Desde o meu &amp;uacute;ltimo relato, perdi a conta de quantos altos e baixos se passaram. Mas, complementando o que eu havia escrito sobre a estabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do rem&amp;eacute;dio, aparentemente as coisas n&amp;atilde;o sa&amp;iacute;ram bem como o esperado.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="5"&gt;Nesse meio-tempo, passei por novas consultas com o gastroenterologista e o psiquiatra. &lt;strong&gt;Uma pausa aqui&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Olhando agora, percebo o quanto tenho lutado para sobreviver e cuidar de mim&lt;/em&gt;. Com o gastro, definimos que ainda vale a pena insistir um pouco mais em uma alternativa cl&amp;iacute;nica antes de partir para exames mais invasivos. J&amp;aacute; o psiquiatra me trouxe um questionamento que n&amp;atilde;o passava pela minha cabe&amp;ccedil;a h&amp;aacute; meia d&amp;eacute;cada: se os 20mg de Citalopram faziam algum efeito positivo, mas n&amp;atilde;o resolviam o isolamento e o medo, era sinal de que faltava aumentar a dosagem.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="6"&gt;Isso realmente nunca tinha me ocorrido. Os 20mg pareciam o suficiente e, quando a ansiedade transbordava, eu recorria ao &amp;aacute;lcool ou ao Diazepam para conter os epis&amp;oacute;dios mais agudos. Fico pensando: ser&amp;aacute; que passei quase cinco anos me tratando de forma errada e, por isso, os sintomas voltaram t&amp;atilde;o avassaladores desta vez? N&amp;atilde;o tenho certeza. S&amp;oacute; sei que decidi aceitar o ajuste para 30mg, mas antes eu precisava testar uma &amp;uacute;ltima teoria.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="7"&gt;No dia 17 de julho, eu tinha uma viagem programada h&amp;aacute; meses. Apesar de me sentir ligeiramente melhor, os epis&amp;oacute;dios de diarreia e de ansiedade constante continuavam ali. Cogitei desistir, mas mudei de ideia ao enxergar uma oportunidade de fazer um teste definitivo. Ap&amp;oacute;s mais de dois meses longe de qualquer gota de bebida, eu estaria em um ambiente tranquilo como Empuriabrava, cercado de amigos e de &amp;aacute;lcool dispon&amp;iacute;vel a qualquer hora. Era a chance de colocar &amp;agrave; prova aquela velha tese: a de que, bebendo, recupero a coragem para ser quem eu quiser e a hipervigil&amp;acirc;ncia finalmente cede. E dito e feito.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="8"&gt;Foram quase tr&amp;ecirc;s dias de viagem que aproveitei ao m&amp;aacute;ximo, me fazendo sentir mais vivo do que em todo o bimestre anterior. Sei que aquela minha vers&amp;atilde;o soci&amp;aacute;vel e leve ainda existe, mas &amp;eacute; doloroso notar que ela s&amp;oacute; desperta quando apago os traumas atrav&amp;eacute;s de uma subst&amp;acirc;ncia que me prejudica. No entanto, n&amp;atilde;o quis racionalizar isso enquanto estava l&amp;aacute;; eu s&amp;oacute; queria me divertir e resgatar o sabor da vida.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="9"&gt;Com o fim do passeio batendo &amp;agrave; porta e a segunda-feira de trabalho se aproximando, tentei conter os excessos para evitar a ressaca no retorno ao expediente, um pouco falho j&amp;aacute; que caiu justo no dia em que a Espanha ganhou pela segunda vez a Copa do Mundo de Futebol. Mas depois disso, foi o momento de virar a chave outra vez: era hora de me afastar do &amp;aacute;lcool e iniciar formalmente os 30mg de Citalopram.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="10"&gt;Hoje, quase duas semanas ap&amp;oacute;s o aumento da dose, j&amp;aacute; noto os primeiros ind&amp;iacute;cios de melhora no p&amp;acirc;nico. Sinto mais f&amp;ocirc;lego para o cotidiano, mesmo que as sa&amp;iacute;das com amigos tenham sido discretas, e as crises intestinais est&amp;atilde;o diminuindo. O mais curioso, por&amp;eacute;m, &amp;eacute; perceber que os meus questionamentos habituais come&amp;ccedil;am a retomar o espa&amp;ccedil;o na minha mente.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="11"&gt;Passei mais de dois meses focado em um &amp;uacute;nico roteiro de paranoia: &lt;i data-path-to-node="11" data-index-in-node="66"&gt;&amp;quot;Ser&amp;aacute; que vou ter dor de barriga aqui? E se eu passar vergonha de me sujar em p&amp;uacute;blico? Como sobreviver a esse vexame?&amp;quot;&lt;/i&gt;. Agora que o pavor f&amp;iacute;sico est&amp;aacute; recuando, os velhos fantasmas reaparecem: &lt;i data-path-to-node="11" data-index-in-node="246"&gt;&amp;quot;E se eu voltar a engordar? Como est&amp;aacute; meu corpo? O que meu ex estar&amp;aacute; fazendo? Ser&amp;aacute; que um dia serei correspondido?&amp;quot;&lt;/i&gt;. &amp;Eacute; bizarro perceber que, por mais desgastantes que sejam essas inseguran&amp;ccedil;as, elas s&amp;atilde;o h&amp;aacute;bitos antigos e familiares. No fim das contas, de forma tortuosa, ainda prefiro lidar com eles do que com o p&amp;acirc;nico paralisante, embora saiba que ambos andam de m&amp;atilde;os dadas.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="12"&gt;Nesta ter&amp;ccedil;a-feira, tive mais um retorno com o psiquiatra. Enquanto avali&amp;aacute;vamos a minha adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos 30mg, ele me tranquilizou lembrando que, se essa dosagem n&amp;atilde;o bastar, ainda podemos ajustar para 40mg. O importante &amp;eacute; eu parar de prever o pior e deixar de alimentar essas vozes de autossabotagem. Se o fim &amp;mdash; mesmo que seja apenas da vida social &amp;mdash; tiver que vir, ele vir&amp;aacute; e eu nem estarei consciente para ver.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="13"&gt;H&amp;aacute; esperan&amp;ccedil;a, e eu escolho viver.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=128822" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>40º Dia</title>
    <published>2026-07-05T21:16:24Z</published>
    <updated>2026-07-05T21:16:24Z</updated>
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    <content type="html">40&amp;ordm; dia de Citalopram, mais uma vez. Quase dois meses desde que meu corpo entrou em colapso, e at&amp;eacute; hoje n&amp;atilde;o entendo o real motivo. Talvez eu nunca entenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&amp;aacute; s&amp;atilde;o quase seis semanas sem comer direito, desenvolvendo um certo dist&amp;uacute;rbio alimentar. Perdi peso. &amp;Eacute; &amp;oacute;timo olhar no espelho e ver a barriga menor, mas, ao mesmo tempo, reflito que talvez eu preferisse continuar no dilema de odi&amp;aacute;-la, desde que estivesse aproveitando a vida como antes, sem carregar o fardo de dores abdominais o dia inteiro. &amp;Eacute; uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o complexa: em um momento olho pra minha 'pancinha' e a rejeito, mas sei que ela representa a liberdade de viver. No outro, fico satisfeito com a minha apar&amp;ecirc;ncia atual, mas arcando com o pre&amp;ccedil;o de n&amp;atilde;o conseguir agir como uma pessoa comum. Eu sei que prefiro a primeira alternativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali&amp;aacute;s, nesses meus devaneios, venho pensando: o que &amp;eacute; ser comum? O que &amp;eacute; a normalidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei por tantas vezes me encaixar nesse conceito. Escrevi inumeras vezes sobre isso: o quanto eu queria pertencer, ser aceito, n&amp;atilde;o ter crescido com o medo constante da rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por esse motivo, passei a vida (e ainda passo) correndo atr&amp;aacute;s de conhecimento que me fa&amp;ccedil;a evoluir e entender que n&amp;atilde;o preciso de tanta aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. S&amp;oacute; que a&amp;iacute; surge a minha hipervigil&amp;acirc;ncia, essa necessidade de controle que simplesmente n&amp;atilde;o sai de mim. Nessas horas, penso que o melhor seria tolerar a loucura da minha pr&amp;oacute;pria exist&amp;ecirc;ncia e desistir dessa busca pelo padr&amp;atilde;o. Por&amp;eacute;m, nem isso eu consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com saudades de ficar &amp;quot;louco&amp;quot;. Fora de mim. De desligar essa engrenagem que est&amp;aacute; sempre ligada na minha cabe&amp;ccedil;a. Sentir, nem que seja por um instante, que n&amp;atilde;o preciso ter medo ou vergonha. &lt;em&gt;&amp;Aacute;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;lcool, LSD, maconha...?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, conversando com a minha irm&amp;atilde; ao telefone, coment&amp;aacute;vamos sobre conhecidos que agora enfrentam problemas com drogas &amp;mdash; ainda que n&amp;oacute;s dois tenhamos um exemplo disso desde que nascemos, que &amp;eacute; o nosso pai. Disse a ela algo que venho percebendo, uma constata&amp;ccedil;&amp;atilde;o meio triste e desoladora, mas que todo mundo ignora para manter as apar&amp;ecirc;ncias: &amp;quot;Ningu&amp;eacute;m est&amp;aacute; bem&amp;quot;. E realmente, quanto mais olho em volta e conhe&amp;ccedil;o as pessoas com quem convivo, mais percebo que est&amp;aacute; todo mundo enfrentando uma batalha psicol&amp;oacute;gica profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o quero despejar os meus problemas em quem j&amp;aacute; est&amp;aacute; vulner&amp;aacute;vel, nem dizer que os meus surtos s&amp;atilde;o piores que os de ningu&amp;eacute;m. Mas isso me faz pensar que, de certa forma, estou sendo forte ao tentar me tratar com lucidez. Por outro lado, tamb&amp;eacute;m vejo como o caminho mais f&amp;aacute;cil para encarar tudo isso &amp;eacute; a autodestrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como meu pai fez e como algumas das pessoas sobre as quais convers&amp;aacute;vamos v&amp;ecirc;m fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ando pelas ruas, observo quem est&amp;aacute; morando ali. Sei que grande parte caiu nessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo uso de subst&amp;acirc;ncias, outros por transtornos mentais, e alguns simplesmente por falta de dinheiro. E isso me dispara o gatilho de que preciso trabalhar loucamente para guardar uma reserva enquanto tento cuidar da minha mente, para nunca chegar a esse ponto. &amp;Eacute; um temor que creio que muita gente sinta, mas que poucos t&amp;ecirc;m coragem de verbalizar. Senti que precisava relatar isso aqui. E talvez esse medo seja uma das raz&amp;otilde;es pelas quais eu tenha que ir ao escrit&amp;oacute;rio amanh&amp;atilde;: para vestir a m&amp;aacute;scara, fingir que estou melhorando e que vai dar tudo certo. Essa &amp;eacute; a suposta normalidade da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o Citalopram come&amp;ccedil;a a estabilizar de verdade na sexta semana. Estou quase l&amp;aacute;. Enquanto tudo ao redor parece inst&amp;aacute;vel, &amp;eacute; hora de dormir. Amanh&amp;atilde; come&amp;ccedil;a um novo ciclo, e eu prometo para o meu eu de agora que as coisas v&amp;atilde;o se ajeitar. Mesmo que o resultado final n&amp;atilde;o seja t&amp;atilde;o normal assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=128649" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>HYPERVIGILANCE</title>
    <published>2026-06-13T13:38:28Z</published>
    <updated>2026-06-13T13:39:09Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-path-to-node="2"&gt;Ainda estou aqui, justamente no est&amp;aacute;gio onde mais odeio estar. Aquele em que os pensamentos sem sentido continuam dominando a minha mente e onde, mais uma vez, perdi o controle do meu pr&amp;oacute;prio corpo. Sigo tomando o antidepressivo e sinto alguma melhora nos sintomas f&amp;iacute;sicos, mas a cabe&amp;ccedil;a n&amp;atilde;o para de remoer: como foi que eu vim parar nesse mesmo lugar de novo?&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="3"&gt;Eu acreditava que evoluir, diminuir o v&amp;iacute;cio em dopamina r&amp;aacute;pida, reduzir o sexo e os encontros usados como moeda de troca por valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o surtiriam efeito. Achei que evitar redes sociais desenhadas para brincar com meus desejos e focar em intelig&amp;ecirc;ncia emocional me trariam a estabilidade que eu tanto buscava para viver bem. Mas pelo visto, o buraco era mais embaixo.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="4"&gt;A vida inteira fui hipervigilante, e talvez esse processo tenha me tornado ainda mais obcecado por gerenciar tudo. Afinal, eu n&amp;atilde;o queria apenas entender e mitigar o que me feria; eu queria dominar meus sentimentos. Ainda quero. Queria ser imune &amp;agrave; rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ao sofrimento. Para isso, tentei decifrar cada um dos meus padr&amp;otilde;es e reduzir ao m&amp;aacute;ximo a exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; dor. O pre&amp;ccedil;o disso foi ter que policiar cada passo que eu dava.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="5"&gt;&lt;a href="https://medium.com/@gu/controle-fc8340352780"&gt;&lt;strong&gt;Em 2015&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, eu j&amp;aacute; deixava clara essa minha fixa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo controle, e as coisas n&amp;atilde;o mudaram muito de l&amp;aacute; para c&amp;aacute;, mesmo que hoje eu saiba muito mais sobre os meus gatilhos. &amp;Eacute; dif&amp;iacute;cil mudar. &amp;Eacute; dif&amp;iacute;cil deixar de ser aquilo que se transformou na minha pr&amp;oacute;pria ess&amp;ecirc;ncia: algu&amp;eacute;m constantemente em alerta. Um hipervigilante.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="6"&gt;Crescer em uma cidade pequena, dentro de um lar inst&amp;aacute;vel marcado pelo abandono, somado &amp;agrave; culpa cat&amp;oacute;lica e a uma sexualidade vista como proibida, me ensinou desde cedo a mapear tudo ao redor.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="7"&gt;Eu calibrava o tempo todo o que pensavam de mim, das minhas roupas ou das minhas companhias. Previa se meus pais come&amp;ccedil;ariam uma briga do nada, transformando a casa em um vulc&amp;atilde;o em erup&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ou se um deles desapareceria no fim de semana, entregue a algum v&amp;iacute;cio. Vivia tentando garantir que a minha orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;mdash; que ainda n&amp;atilde;o &amp;eacute; algo t&amp;atilde;o aceito em muitos lugares &amp;mdash; n&amp;atilde;o vazasse e destru&amp;iacute;sse minhas amizades ou la&amp;ccedil;os familiares. Eu sabia que, se descobrissem quem eu era, especialmente no auge da minha adolesc&amp;ecirc;ncia, o isolamento e a rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o seriam certos. Sem maturidade para lidar com esse peso, fui sufocando tudo aqui dentro.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="8"&gt;Era um estado de alerta ininterrupto. Eu precisava decifrar o ambiente antes mesmo de pisar nele, calculando at&amp;eacute; que ponto a minha presen&amp;ccedil;a e a minha verdade incomodariam os outros. Eu precisei me diminuir para caber.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="9"&gt;Treinei meu c&amp;eacute;rebro (e, consequentemente, meu intestino) de que o controle era vital. Sair da linha significava ser visto como a personifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do nojo por quem me cercava, e eu n&amp;atilde;o suportaria ser esse rejeitado. Por anos sofri de constipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ao perder o controle, sofro com a diarreia. E eu passei a ser a personifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que entendia como nojento.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="10"&gt;Anos de terapia depois, acumulando crises de ansiedade e a s&amp;iacute;ndrome do intestino irrit&amp;aacute;vel... c&amp;aacute; estamos. &amp;Eacute; 2026, e de tanto tentar segurar as r&amp;eacute;deas, colapsei novamente. Meu corpo parou de obedecer &amp;agrave; mente; ele s&amp;oacute; enxerga perigo. Sente o medo de que meu intestino entre em p&amp;acirc;nico e me exponha outra vez &amp;agrave; humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o do julgamento alheio. O c&amp;eacute;rebro capta esse alerta e o p&amp;acirc;nico se instala.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="11"&gt;&amp;Eacute; horr&amp;iacute;vel conhecer o roteiro, saber a causa, a origem, e mesmo assim n&amp;atilde;o conseguir frear o processo.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="12"&gt;Mas n&amp;atilde;o deixa de ser um caminho. Tem dias em que a vontade &amp;eacute; de desistir, porque parece uma hist&amp;oacute;ria sem fim. Uma &amp;uacute;nica certeza de que sempre voltarei a essa estaca zero de desabar aleatoriamente em algum lugar, afinal n&amp;atilde;o d&amp;aacute; para fugir de si mesmo. Ainda assim, tenho seguido com o tratamento, medicado, vivendo um dia de cada vez. Equilibrando a ang&amp;uacute;stia, a fadiga e a raiva com um resto de esperan&amp;ccedil;a de que as coisas finalmente mudem.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="13"&gt;Se eu pudesse resumir este cap&amp;iacute;tulo da minha vida em uma palavra, seria Hipervigil&amp;acirc;ncia. Mas diante disso, como desatar um n&amp;oacute; que sempre esteve aqui? Para onde vai quem eu sou se eu parar de policiar o mundo? Sobra apenas o Gustavo embriagado?&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="14"&gt;Talvez eu precise recome&amp;ccedil;ar a me conhecer do zero, mas confesso que nem sei por onde partir.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=128341" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>dystopia</title>
    <published>2026-05-31T13:44:15Z</published>
    <updated>2026-05-31T13:44:15Z</updated>
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    <content type="html">Para introduzir, eu queria resgatar um texto que postei em&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;a href="https://gustavo.dreamwidth.org/111325.html"&gt;Setembro de 2014&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, exatamente quando minhas crises de p&amp;acirc;nico relacionadas &amp;agrave; SII come&amp;ccedil;aram de fato. Naquela &amp;eacute;poca, eu nem sabia o que era a S&amp;iacute;ndrome do Intestino Irrit&amp;aacute;vel, mas conhecia muito bem o medo horroroso de passar pela humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ter uma dor de barriga em p&amp;uacute;blico. Era um pavor t&amp;atilde;o grande de uma poss&amp;iacute;vel diarreia, de ficar sujo e virar motivo de zombaria, que a minha cabe&amp;ccedil;a entendeu que a melhor sa&amp;iacute;da era fugir: parei de sair de casa e desenvolvi um medo absurdo de locais fechados ou sem um banheiro limpo por perto. Com a ajuda da terapia, medica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tempo e muita paci&amp;ecirc;ncia, acabei vencendo esses sintomas na &amp;eacute;poca. Mas isso n&amp;atilde;o significa que eles sumiram para sempre. Eles diminu&amp;iacute;ram gradualmente, mas continuaram ali, &amp;agrave; espreita. As crises voltaram a se intensificar em 2016, depois em 2021... e agora, em 2026, novamente.&lt;p data-path-to-node="1"&gt;Se das outras vezes eu conseguia rastrear as raz&amp;otilde;es que me levaram ao colapso, desta vez estou dando voltas na minha pr&amp;oacute;pria cabe&amp;ccedil;a tentando entender o motivo. Como escrevi no post anterior, eu j&amp;aacute; vinha h&amp;aacute; alguns dias submerso em uma tristeza sem explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que talvez estivesse ligada &amp;agrave; fadiga de tentar sempre melhorar e sentir que isso n&amp;atilde;o me levava a um lugar concreto. Mas a&amp;iacute;, numa bela segunda-feira, a caminho do trabalho, a dor voltou. E veio forte, acompanhada de uma intensa sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de desmaio. O susto foi enorme. Eu estava dentro do metr&amp;ocirc; e, a cada parada, rezava para conseguir chegar ao destino sem precisar sair correndo, sem nem saber para onde ir. O intestino torcia de dor e a mente decretava que eu estava prestes a viver o momento mais constrangedor da minha vida. S&amp;oacute; que, por j&amp;aacute; conhecer o roteiro, eu sabia que, por mais real que fosse a dor f&amp;iacute;sica, o medo ao redor dela era surreal. E eu fiquei. Eu enfrentei. Cheguei ao meu trabalho e consegui falar com as pessoas sobre o que estava sentindo e pensei: &amp;quot;Bom, eu j&amp;aacute; n&amp;atilde;o sou mais o Gustavo de 2014, porque agora eu consigo verbalizar o que acontece&amp;quot;. Doce ilus&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="2"&gt;As crises, que pareciam passageiras, foram se fixando no meu corpo pouco a pouco. Em quest&amp;atilde;o de uma semana, me vi de volta ao ponto de n&amp;atilde;o conseguir sair de casa sem antes enfrentar um ataque de p&amp;acirc;nico completo. E &amp;eacute; exatamente aqui que me encontro agora.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="3"&gt;Em janeiro deste ano, de t&amp;atilde;o confiante que eu estava com o meu momento, deixei o Citalopram ap&amp;oacute;s mais de quatro anos de tratamento. Tudo parecia caminhar bem: a terapia me ajudando a enxergar as engrenagens da minha vida, uma aparente estabilidade financeira, boa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a fam&amp;iacute;lia e amigos... Mas nesse momento, precisei voltar para a medica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Entendi que n&amp;atilde;o estou forte o suficiente para sair desse breakdown sozinho.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="4"&gt;S&amp;oacute; que parece que s&amp;oacute; isso n&amp;atilde;o tem sido bastante. Sinto que voltei para o fundo de um buraco que conhe&amp;ccedil;o bem, mas do qual esqueci como sair. Se por um lado a minha raz&amp;atilde;o me diz que isso vai passar, por outro, cansa pensar que posso viver a vida inteira assim, ref&amp;eacute;m do meu pr&amp;oacute;prio corpo. &amp;Eacute; angustiante e assustador ter que enfrentar esse mesmo &amp;quot;lugar&amp;quot; mais uma vez.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="5"&gt;Estou de atestado m&amp;eacute;dico, inicialmente at&amp;eacute; amanh&amp;atilde;. E isso me gera uma preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o enorme, porque ainda n&amp;atilde;o me sinto bem sequer para dar um passo fora de casa e fazer coisas simples como ir &amp;agrave; academia, quem dir&amp;aacute; pegar o transporte p&amp;uacute;blico e encarar a rotina de trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="6"&gt;Quero acreditar que logo a medica&amp;ccedil;&amp;atilde;o vai estabilizar e que poderei retomar uma vida &amp;quot;normal&amp;quot;. Embora, sendo sincero, eu j&amp;aacute; nem saiba mais o que &amp;eacute; o normal, j&amp;aacute; que aparentemente vivo em constante hipervigil&amp;acirc;ncia, numa batalha di&amp;aacute;ria contra o meu pr&amp;oacute;prio sistema interno.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="7"&gt;Que os pensamentos positivos me cerquem. Que a vontade de viver volte para mim. Eu quero muito seguir em frente.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=128236" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>utopia</title>
    <published>2026-05-12T13:29:46Z</published>
    <updated>2026-05-12T13:34:18Z</updated>
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    <dw:music>OVER - Lykke Li</dw:music>
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    <content type="html">&amp;Eacute; estranho... ainda me sinto meio mal, com uma tristeza que n&amp;atilde;o sei explicar direito, mesmo sabendo que as coisas na minha vida est&amp;atilde;o &amp;quot;ok&amp;quot; ou, pelo menos, onde eu planejei que estivessem. Talvez eu ainda esteja me cobrando demais em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao que considero estabilidade, tentando a todo custo n&amp;atilde;o cair nas ciladas que me levavam aos padr&amp;otilde;es de sofrimento de antes. Aquele v&amp;iacute;cio de buscar valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o em quem n&amp;atilde;o me quer e, logo em seguida, sofrer pela rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; que eu esteja curado disso; eu s&amp;oacute; sigo evitando o comportamento enquanto tento me entender.&lt;p data-path-to-node="1"&gt;&amp;Agrave;s vezes, parece que estou vivendo um luto de mim mesmo. Abandonei tantas camadas que agora consigo olhar para tr&amp;aacute;s, pensar no Gustavo crian&amp;ccedil;a e entender o porqu&amp;ecirc; de muita coisa. &amp;Eacute; um processo de aceitar que o passado &amp;eacute; imut&amp;aacute;vel, enquanto sinto que ainda n&amp;atilde;o consegui me tornar, de fato, uma nova vers&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="2"&gt;E &amp;eacute; a&amp;iacute; que a falta de uma v&amp;aacute;lvula de escape vira uma bola de neve. Quando a tristeza e a press&amp;atilde;o batem, a vontade &amp;eacute; correr atr&amp;aacute;s justamente daquilo que n&amp;atilde;o posso ter. Como agora n&amp;atilde;o me permito voltar para os aplicativos de encontro e tamb&amp;eacute;m parei de gastar rios de dinheiro com eletr&amp;ocirc;nicos para suprir o vazio, parece que as coisas perdem o sentido. Eu ainda n&amp;atilde;o aprendi a ressignificar esses espa&amp;ccedil;os vazios.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="3"&gt;Talvez eu esteja apenas confuso. Quando olho para fora, n&amp;atilde;o estou mal: tenho um trabalho que me paga o suficiente, consigo economizar e estou cuidando de mim. Tem dias que at&amp;eacute; aceito melhor minha biologia, entendendo que esse &amp;eacute; o rosto e o corpo que eu tenho. E n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais que eu queira ou acredite que algu&amp;eacute;m vai aparecer para me salvar; acho que a independ&amp;ecirc;ncia de morar sozinho e a consci&amp;ecirc;ncia de escolher com quem me envolver me trariam muito mais paz do que um namoro por conveni&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="0"&gt;N&amp;atilde;o entendo bem esse estado atual, mas quero acreditar que vai passar logo. Quero voltar a ser aquele Gustavo feliz, animado e que realmente sente prazer nas coisas. Mas, no fundo, sei que n&amp;atilde;o &amp;eacute; necessariamente felicidade o que falta agora; &amp;eacute; um pouco de vitalidade e alegria emocional.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="1"&gt;Eram coisas que a Irlanda, os aplicativos e as paix&amp;otilde;es imposs&amp;iacute;veis me davam, mas eu tamb&amp;eacute;m sei o pre&amp;ccedil;o que vem junto: ansiedade, idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, compuls&amp;atilde;o, aquela busca incessante por valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o e uma instabilidade profunda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso aprender a construir uma vida emocionalmente nutritiva sem depender da autodestrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o suave que antes parecia prazer.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=127860" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Love me like I'm not made of stone</title>
    <published>2026-05-08T11:16:42Z</published>
    <updated>2026-05-08T11:16:42Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-path-to-node="0"&gt;&amp;Eacute; impressionante como &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil desaprender padr&amp;otilde;es que carregamos por mais de 30 anos. S&amp;atilde;o coisas que a gente absorve ao longo da vida e que, mesmo quando despertamos e tomamos consci&amp;ecirc;ncia do que j&amp;aacute; n&amp;atilde;o deveria estar aqui, a mente insiste em repetir. Tudo o que me foi ensinado, o certo e o errado, o que formou minha &amp;iacute;ndole e moldou meu car&amp;aacute;ter... tudo isso construiu o muro onde me protejo. Muita coisa j&amp;aacute; n&amp;atilde;o faz sentido hoje, mas para a minha cabe&amp;ccedil;a, que foi treinada assim, a mudan&amp;ccedil;a &amp;eacute; um processo lento e &amp;aacute;rduo.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="1"&gt;Eu queria muito me permitir mais. Me permitir gastar sem o medo constante de que algo vai dar errado a qualquer segundo. Me permitir investir, tentar algo novo mesmo que a resposta seja um &amp;quot;n&amp;atilde;o&amp;quot;, ou at&amp;eacute; me sentir rejeitado sem que isso fosse o fim do mundo. Mas ainda n&amp;atilde;o consigo. Sinto que dou um passo &amp;agrave; frente e dois para tr&amp;aacute;s. Minha mente ainda est&amp;aacute; obcecada por estabilidade; se algo est&amp;aacute; est&amp;aacute;vel, deve continuar assim. Por isso, estou h&amp;aacute; mais de um ano evitando me relacionar, esperando o momento em que eu me sinta pronto para investir emocionalmente em algu&amp;eacute;m. No fundo, sei que dificilmente darei o primeiro passo, porque o risco de um fora destruiria meu castelo de areia. N&amp;atilde;o que eu seja o mesmo Gustavo de um ano atr&amp;aacute;s; eu me sinto muito mais forte agora, mas sinto que n&amp;atilde;o quero mais esse esfor&amp;ccedil;o. Prefiro ser escolhido. Que venham at&amp;eacute; mim e me poupem da dor e do desgaste.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="2"&gt;Nas &amp;uacute;ltimas semanas, o cansa&amp;ccedil;o bateu forte. Nesta em particular, ando meio para baixo, e com raz&amp;atilde;o. Tenho me policiado demais e por muito tempo. Sigo controlando cada gasto em busca da meta de morar sozinho ou de construir aquela seguran&amp;ccedil;a financeira que ningu&amp;eacute;m nunca p&amp;ocirc;de me dar. Sigo malhando, correndo, subindo escadas, cuidando da pele... &amp;Eacute; uma guerra constante contra a minha pr&amp;oacute;pria apar&amp;ecirc;ncia e a busca por uma vers&amp;atilde;o melhor de mim mesmo. Ao mesmo tempo, venho reduzindo o v&amp;iacute;cio em dopamina r&amp;aacute;pida &amp;mdash; redes sociais e aplicativos de encontro &amp;mdash;, e essa limita&amp;ccedil;&amp;atilde;o acaba me fechando para o mundo. Se por um lado agora eu tenho o controle de quase tudo, por outro, sinto falta daquela rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o qu&amp;iacute;mica, da surpresa e da adrenalina que essas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es me traziam.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="3"&gt;Isso me traz mem&amp;oacute;rias da &amp;eacute;poca na Irlanda e do porqu&amp;ecirc; aquele tempo foi t&amp;atilde;o vital. Tudo era novo. Cada dia, cada intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cada olhar tinham um gosto diferente. Eu era ing&amp;ecirc;nuo, desbravando um pa&amp;iacute;s novo com uma cultura totalmente distinta, e tinha fome de aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de fazer parte de algo. Eu sentia que qualquer coisa podia acontecer a qualquer momento, e talvez por isso eu quisesse tanto ter sobrevivido l&amp;aacute;. Algumas pessoas e momentos daquele per&amp;iacute;odo ficaram marcados de forma profunda. Hoje, com a vida mais resolvida e com muito mais bagagem, n&amp;atilde;o sinto mais esse &amp;ecirc;xtase em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es arriscadas, nem motiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o para me desdobrar, mesmo exausto, atr&amp;aacute;s de algu&amp;eacute;m. Mas sinto muita saudade do que o Gustavo de 2019 sentia.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="4"&gt;Eu achava que me descondicionar e alcan&amp;ccedil;ar estabilidade me deixaria mais leve, mas ainda n&amp;atilde;o encontrei esse caminho. Por enquanto, sigo me organizando com um gosto agridoce na boca. Consigo olhar para as coisas ruins que passei e integr&amp;aacute;-las com carinho, mas ainda n&amp;atilde;o aprendi a me libertar para viver o prazer sem o peso da culpa. Talvez seja por isso que esta semana tenha do&amp;iacute;do tanto. Mas vai passar. Sempre passa.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=127638" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>gustavoassis &amp; gustavoorochi &amp; 5gu &amp; cincogus</title>
    <published>2026-03-31T12:41:14Z</published>
    <updated>2026-03-31T12:41:14Z</updated>
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    <dw:music>Lotus Intro - Christina Aguilera</dw:music>
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    <content type="html">&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczOEsee1GZOiykusFbRD8Wc2qHWU2jcayzgAx7khdRg2ZTP9b3kowATnaTpxDTwlU6KRG1cjJ3PKkeOr-aU5apczzo9Owqc80JLpwE0dZq5b2B66ikDqDHlnBYFhxi2G0O4gR1eseV998ckQIUbGGBcwsg=w1234-h694-s-no-gm?authuser=0" width="700" height="394" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em um momento feliz em Tenerife, Ilhas Can&amp;aacute;rias. Me sentindo no topo do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diria que, ap&amp;oacute;s tantos meses de terapia e todos os esfor&amp;ccedil;os que tenho feito para me sentir melhor, tudo isso finalmente surtiria efeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viagens sozinho, a reconex&amp;atilde;o com meu &amp;quot;eu&amp;quot; do passado (que carinhosamente chamo de &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Yugi_Mutou"&gt;Yami &amp;amp; Yugi&lt;/a&gt;) e a desativa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do poder dos algoritmos sobre a minha vida... Agora, sim, consigo colher as recompensas. Com a ansiedade em baixa, a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de perigo constante diminui; sinto menos necessidade de ser aceito pelos outros e, &amp;agrave;s vezes, at&amp;eacute; me pego em chorinhos de felicidade ao pensar na minha trajet&amp;oacute;ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar nisso, ainda me lembro bem do Gustavo aos 15 anos (gustavoorochi), olhando para o horizonte e sonhando em um dia deixar a cidade onde nasceu porque temia n&amp;atilde;o ser aceito. Olhe para mim agora, quase 20 anos depois, desbravando o mundo sozinho. Sinto um certo medo, sim, mas sigo visitando pa&amp;iacute;ses onde muitos jamais pisariam sem companhia, vivendo momentos que n&amp;atilde;o precisam ser compartilhados para serem validados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; algo novo, que aquele Gustavo apenas ousava sonhar. Eu sempre achei que todos precisavam validar minha experi&amp;ecirc;ncia para que ela parecesse real &amp;mdash; talvez por querer provar que superei quem possivelmentre duvidaria de mim. Refleti que, nestes 34 anos, me reinventei v&amp;aacute;rias vezes em lugares onde ningu&amp;eacute;m me conhecia. E, embora pudesse fazer isso de novo, j&amp;aacute; n&amp;atilde;o sinto essa necessidade: o que vem de dentro hoje &amp;eacute; mais recompensador que qualquer novo come&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczN_8CBW5iyi3CaPkbojSiYiIjDIrhYIjOLIXOsjqi7I9mwo2rxg6Px4KCuoG-L6wu3ntIt3TgKGG6tMk1_8ctjssT2WDLB03gQPr3mVHu9M6_Fyp3tp7VpAMSCy0Sz7AS3ZAVM4dBM7-m97Npd_DJckTw=w860-h860-s-no-gm?authuser=0" width="200" height="200" alt="" /&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczOzzgaaDDWDPBDAZGla1Mc4JGxmc7TPzWVCJx96mYtdzhAWnK5yUv2QlGp2HZj0rb-WmbvqxcoYY0YAeED7RowcpL-aaxt3O0y1c2fySyXvIKYx_y9qaP5HWiZLlrl6-wX_C0UKxUDmc2Gbt5muYkeBag=w272-h272-s-no-gm?authuser=0" width="200" height="200" alt="" /&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczPx9Jzs791l5hetf8NfmK_1E0DkVxckHEHkwzWbiaOXcP1GraPvO0wd7nanbzWqAydlmhBwA8wroL4sUy74TOadBFXcGAvggW_F0n3xQRnVKkfbtmgEVLDtx8-8snl2XQo9iUaSnvzK6-T2DzUlc1JJRg=w860-h860-s-no-gm?authuser=0" width="200" height="200" alt="" /&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczO4O8MXA5otGvLT8E1p5muMQ_GIjUHLLq6oHDNzx6v5EtDvKuWjy9SFnKYSk82W_ZbUki6efMtWGxSSq1Qp-8r93umg_QnowKyIBGs6bHQNVxgso0pNw1xLgc-r290k1Hn9d-QbyTnOnUk67lMS5lU=w860-h860-s-no-gm?authuser=0" width="200" height="200" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este &amp;eacute; um texto simples, talvez meio piegas, escrito de maneira despretensiosa. S&amp;oacute; quero deixar registrado que, mesmo que em cinco minutos tudo mude, eu, Gustavo Assis, estou feliz pelo gustavoorochi de Inhapim, pelo 5gu de S&amp;atilde;o Paulo e pelo cincogus que hoje vive na Europa. Aceito que n&amp;atilde;o posso controlar tudo, acolho minhas vers&amp;otilde;es com amor e me orgulho da minha hist&amp;oacute;ria. &amp;hearts;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=127248" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Tant pis pour toi</title>
    <published>2026-02-26T11:37:39Z</published>
    <updated>2026-02-26T11:38:19Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-path-to-node="2"&gt;Querido Gustavo Assis,&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="3"&gt;Faz um tempo que voc&amp;ecirc; veio aqui e escreveu que queria entrar num processo de descondicionamento para tentar se desligar das pris&amp;otilde;es que o sistema criou; aquelas que te diminu&amp;iacute;am, te faziam sofrer e logo te faziam voltar pro mesmo buraco de toda a vida. Mais de 6 meses se passaram, e onde estamos agora?&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="4"&gt;O &lt;i data-path-to-node="4" data-index-in-node="2"&gt;in-between&lt;/i&gt;, essa metade da jornada que &amp;eacute; extremamente confusa, te faz perceber que &amp;eacute; praticamente imposs&amp;iacute;vel sair de toda a merda que a sociedade prega, porque, uma vez que o fa&amp;ccedil;a, o sofrimento &amp;eacute; ainda pior. &amp;Eacute; isolado, sozinho, triste, sem acolhimento e com uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o estranha de que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; &amp;agrave; beira da loucura ou de um &lt;i data-path-to-node="4" data-index-in-node="327"&gt;breakdown&lt;/i&gt; a qualquer momento.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="5"&gt;Ser&amp;aacute; que realmente est&amp;aacute; valendo a pena? Voc&amp;ecirc; tem 34 anos. O mundo condicionado j&amp;aacute; te disse: seu tempo est&amp;aacute; passando. No mundo gay, 34 &amp;eacute; 50 para um h&amp;eacute;tero. Ser careca &amp;eacute; sinal de n&amp;atilde;o ser amado. E o seu corpo n&amp;atilde;o ser padr&amp;atilde;o &amp;eacute; um apartheid, onde voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o poder&amp;aacute; cruzar para outras partes da comunidade. Ent&amp;atilde;o, se voc&amp;ecirc; escolhe &amp;quot;se descondicionar&amp;quot;, o que te sobra? Estar sozinho? Lutando contra uma vontade fisiol&amp;oacute;gica de toque? Ou aceitar que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; mais visto?&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="6"&gt;Ali&amp;aacute;s, por que voc&amp;ecirc; quer tanto ser visto? Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais o Gustavo crian&amp;ccedil;a que necessita de aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e voc&amp;ecirc; sabe disso, verdade? Como j&amp;aacute; disse aqui, sua idade j&amp;aacute; &amp;eacute; 34. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; passou por tudo isso: abandono parental, financeiro, isolamento por orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual e medo. Mas tamb&amp;eacute;m superou tudo construindo um grupo de amigos que te acolheram dentro das pr&amp;oacute;prias condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es; experimentou ser querido e popular, conseguiu conquistar independ&amp;ecirc;ncia financeira de algum modo e, aposto, melhor que muita gente. Ent&amp;atilde;o eu te pergunto: o que voc&amp;ecirc; quer que vejam de voc&amp;ecirc;? Que agora voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; melhor do que a crian&amp;ccedil;a de 15 anos? Mas aquilo j&amp;aacute; foi, Gustavo. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais aquele moleque que sofreu. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; entendeu isso.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="7"&gt;Ent&amp;atilde;o, o que sobra? O medo? Necessidade de ser aceito? Compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Medo de que te vejam e descubram que voc&amp;ecirc; peida, caga, tem intestino preso e barriga? Ser aceito por quem? Quem s&amp;atilde;o essas pessoas das quais voc&amp;ecirc; precisa de aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, se voc&amp;ecirc; vive sozinho h&amp;aacute; anos e n&amp;atilde;o apareceu uma mosca pra te dizer algo? E se comparar com gente de Inhapim? &amp;quot;Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; est&amp;aacute; melhor que eles&amp;quot;, &amp;eacute; isso que voc&amp;ecirc; precisa ouvir?&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="8"&gt;E essa necessidade de compensar pra ser aceito? Por que voc&amp;ecirc; se coloca t&amp;atilde;o abaixo das pessoas? Por que voc&amp;ecirc; tem que se diminuir, se desdobrar, ficar esperando que algu&amp;eacute;m te d&amp;ecirc; o que voc&amp;ecirc; espera, enquanto se desfaz de todos os seus planos pra se encaixar na vida de quem te d&amp;aacute; o m&amp;iacute;nimo em troca? Voc&amp;ecirc; quer mesmo reter algu&amp;eacute;m assim, dando tudo de maneira f&amp;aacute;cil? E n&amp;atilde;o me entenda mal, isso n&amp;atilde;o quer dizer que voc&amp;ecirc; tem que jogar de maneira egoica ou simplesmente desaparecer de tudo para o que te convidam. Mas, se ningu&amp;eacute;m vem atr&amp;aacute;s, &amp;eacute; porque ningu&amp;eacute;m se importa. Ent&amp;atilde;o faz o seu por voc&amp;ecirc;. &amp;Eacute; voc&amp;ecirc; por voc&amp;ecirc; na maioria do tempo.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="9"&gt;Decida-se, Gustavo. Voc&amp;ecirc; quer viver num mundo de condicionamento e lutar contra tudo e todos, o tempo inteiro, pra provar valor? Ou voc&amp;ecirc; quer apenas aceitar que existir&amp;atilde;o momentos em que ter&amp;aacute; que admitir que &amp;eacute; apenas uma ameba no Universo? Isso implica que voc&amp;ecirc; nem sempre poder&amp;aacute; colher o mundo com as m&amp;atilde;os, portanto, ser&amp;aacute; obrigado a saber aceitar suas limita&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ainda que isso te incomode ou incomode as outras pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="10"&gt;Gustavo, eu estou cansado de estar nesse estado de tremor interno. Desse turbilh&amp;atilde;o de indecis&amp;otilde;es e anseios. Voc&amp;ecirc; tem que entender o que realmente busca. Ou aceita que descondicionar n&amp;atilde;o funcionou e volta a se entregar, dando sua vida em apps onde outros gays, que passaram pelas piores merdas poss&amp;iacute;veis, ir&amp;atilde;o te julgar e te deixar pra baixo porque precisam alimentar o pr&amp;oacute;prio ego em joguinhos. Ou voc&amp;ecirc; escolhe continuar nessa jornada, sabendo que o futuro &amp;eacute; mais sozinho e menos compar&amp;aacute;vel ao sucesso de quem escolheu n&amp;atilde;o enxergar a verdade.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="11"&gt;E a&amp;iacute;, vai encarar?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=127057" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>letters to the boy in the dark room</title>
    <published>2026-02-19T16:25:36Z</published>
    <updated>2026-03-23T10:00:28Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-start="0" data-end="24" style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczP2yM8-wMBTOtQk7yuldpa7aND2hhnHtgwJCK6mfrhURoxrxClURkqT_dU5YFXOd5jSDM3eGEksM_erytFas72F_R5hIW2R_FcOIFu-N3NtY2DOMAMs9ov6FhdhYWq_FLI1G2r3rUygvpe2IeVVR325FQ=w1225-h919-s-no-gm?authuser=0" width="300" height="225" alt="" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-start="0" data-end="24"&gt;&lt;br /&gt;Querido Gustavo de 2011,&lt;/p&gt; &lt;p data-start="26" data-end="378"&gt;Aqui quem escreve &amp;eacute; o Gustavo de 2026. Acabei de reencontrar aquele &lt;strong&gt;&lt;a href="https://gustavo.dreamwidth.org/79893.html"&gt;post&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com as metas que voc&amp;ecirc; criou no passado, e isso me fez lembrar de quando o mundo ainda parecia pequeno &amp;mdash; e de quanto n&amp;oacute;s caminhamos desde ent&amp;atilde;o. Foi importante ter escrito aquilo naquela &amp;eacute;poca, e &amp;eacute; igualmente importante resgatar isso agora. Algumas coisas demoraram, mas chegaram.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="380" data-end="864"&gt;Esse blog/di&amp;aacute;rio guarda detalhes de uma fase decisiva, especialmente na adolesc&amp;ecirc;ncia, quando eu me sentia deslocado numa cidade pequena que parecia n&amp;atilde;o ter sido feita para pessoas como eu &amp;mdash; e, de certo modo, n&amp;atilde;o era mesmo. Hoje consigo olhar para a nossa hist&amp;oacute;ria e para os traumas com mais clareza. Entendo que tudo o que vivemos, inclusive a dor de n&amp;atilde;o nos sentirmos pertencentes, ajudou a construir quem eu sou. Foi isso que me impulsionou a sair do buraco em que um dia estivemos.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="866" data-end="1331"&gt;Em 2011, meu corpo e minha mente buscavam isolamento. Eu procurava lugares onde pudesse ficar s&amp;oacute; e imaginar um mundo melhor. Lembro da &amp;quot;Rua da Feira&amp;quot;, quase vazia, com duas casas abandonadas &amp;mdash; uma delas marcada por um suic&amp;iacute;dio. &amp;Agrave;s vezes eu pensava que aquele poderia ser o meu fim tamb&amp;eacute;m, porque havia dias em que a esperan&amp;ccedil;a parecia inexistente. Quase ningu&amp;eacute;m passava por ali, e isso me fazia sentir alheio &amp;agrave; cidade, mas, ao mesmo tempo, estranhamente presente nela.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1333" data-end="1835"&gt;A Rua Santo Ant&amp;ocirc;nio tinha um efeito parecido. Era calma demais. No seu caminho, levava a um canto com fazendas e casas dispersas, sem com&amp;eacute;rcio, e tamb&amp;eacute;m dava acesso a um bairro/distrito honomino grande, isolado, com fama de perigoso. No meio desse caminho havia uma casa espec&amp;iacute;fica que alimentava outra fantasia: &amp;ldquo;Se eu der certo, se minha orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual for compat&amp;iacute;vel com essa cidade, eu vou morar aqui, com tal pessoa.&amp;rdquo; Nada daquilo era concreto. Eram proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mas foram essas fantasias que nos impediram de desistir.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1837" data-end="2272"&gt;Muita coisa aconteceu desde ent&amp;atilde;o. O sonho de escapar geograficamente, ao som de &lt;span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"&gt;Counting Down the Days&lt;/span&gt; da &lt;span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"&gt;&lt;a href="https://gustavo.dreamwidth.org/124463.html"&gt;Natalie Imbruglia&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, virou realidade. Em 2026, aos 34 anos, realizei a maior parte daquelas metas: morei em tr&amp;ecirc;s pa&amp;iacute;ses, visitei mais de quinze, falo tr&amp;ecirc;s idiomas. Algumas metas ficaram pelo caminho &amp;mdash; em parte porque j&amp;aacute; n&amp;atilde;o fazem sentido hoje &amp;mdash;, mas olhar para o percurso j&amp;aacute; &amp;eacute; motivo de orgulho.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2274" data-end="2621"&gt;Sei que demorou 15 anos para escrever essa resposta, mas eu queria poder te abra&amp;ccedil;ar agora e dizer que estamos na nossa melhor vers&amp;atilde;o at&amp;eacute; aqui. Que se fechar naquele quarto por medo de n&amp;atilde;o pertencer foi uma fase. Que hoje estamos mais livres. E que, pelo nosso bem-estar, decidi abandonar a competi&amp;ccedil;&amp;atilde;o constante que nosso c&amp;eacute;rebro insistia em impor.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2623" data-end="3057"&gt;A internet, que foi ref&amp;uacute;gio naquele tempo, se tornou um espa&amp;ccedil;o mais sombrio. Estou aprendendo a lidar com isso para preservar nossa sanidade. Desenvolvemos um transtorno de ansiedade ao longo do caminho, mas tenho cuidado de n&amp;oacute;s. Ainda existe inc&amp;ocirc;modo com a barriga, apesar das dietas e do efeito sanfona, mas perdi o medo da academia. Estou entendendo que talvez a maior batalha sempre tenha sido interna. E sigo, um dia de cada vez.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="3059" data-end="3416" data-is-last-node="" data-is-only-node=""&gt;Nem tudo est&amp;aacute; perfeito. Ainda h&amp;aacute; frustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es e ansiedades. Mas, olhando para tr&amp;aacute;s, h&amp;aacute; raz&amp;otilde;es concretas para termos orgulho. O mais importante &amp;eacute; que eu estou aprendendo a te compreender e a te acolher. Receba meu abra&amp;ccedil;o daqui. Vai ficar tudo bem. Eu te amo, te aceito, nos perdoo &amp;mdash; e perdoo tamb&amp;eacute;m tudo o que precisou acontecer para que cheg&amp;aacute;ssemos at&amp;eacute; aqui. &amp;hearts;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=126773" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Deserto</title>
    <published>2026-02-11T15:25:11Z</published>
    <updated>2026-03-23T10:01:02Z</updated>
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    <content type="html">Como mencionei em um post anterior, j&amp;aacute; faz um tempo que decidi entrar de verdade no meu processo de cura do condicionamento que o sistema me imp&amp;ocirc;s. Sendo realista, isso &amp;eacute; quase imposs&amp;iacute;vel por completo, mas entendi que d&amp;aacute; para viver com pequenas frestas de descondicionamento: aprender a me amar e me respeitar sem parecer que estou encenando algo tirado de um livro de autoajuda ou vivendo uma fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo tem sido, talvez, a coisa mais confusa que j&amp;aacute; vivi. Por um lado, eu entendo que crescer ouvindo que eu nunca fui suficiente, que nunca seria amado por causa da minha apar&amp;ecirc;ncia ou da minha orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual, e ainda ser bombardeado todos os dias por mensagens que refor&amp;ccedil;am que pessoas como eu n&amp;atilde;o merecem muito al&amp;eacute;m do que j&amp;aacute; viveram, deixa marcas profundas. Por outro, quando bate a frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ver que quem n&amp;atilde;o est&amp;aacute; nesse processo parece estar mais feliz, d&amp;aacute; vontade de desistir e voltar atr&amp;aacute;s. S&amp;oacute; que eu j&amp;aacute; entendi que n&amp;atilde;o tem mais volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu j&amp;aacute; enxerguei coisa demais. E talvez seja justamente isso que d&amp;oacute;i: estar nesse meio-campo, onde ainda n&amp;atilde;o alcancei o que almejo, mas tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o consigo mais ser o Gustavo de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho sa&amp;iacute;do de aplicativos que me fazem mal, aprendido a dizer n&amp;atilde;o, evitado pessoas que n&amp;atilde;o me agregam e ainda me trazem carga emocional negativa. E, no fim, sinto que estou me afastando de muita coisa, sempre me perguntando se estou fazendo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das minhas an&amp;aacute;lises, me veio a frase:&lt;br /&gt;&amp;ldquo;O que d&amp;oacute;i n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; n&amp;atilde;o estar sendo desejado agora. &amp;Eacute; a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que, quando voc&amp;ecirc; finalmente decide se respeitar, o mundo n&amp;atilde;o oferece nenhuma alternativa menos violenta. Ou voc&amp;ecirc; se submete ao jogo (apps, esfor&amp;ccedil;o, implora&amp;ccedil;&amp;atilde;o velada) ou fica no deserto. Essa &amp;eacute; a injusti&amp;ccedil;a que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; nomeando.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a realidade confusa &amp;eacute; essa. Ser&amp;aacute; que, se eu ainda estivesse postando thirsty trap ou elogiando macho que nem tem interesse em mim no Instagram, eu estaria mais feliz? Ser&amp;aacute; que, se eu aceitasse qualquer pessoa do Tinder &amp;mdash; que me usava como apoio no come&amp;ccedil;o e depois sumia &amp;mdash; eu me sentiria menos s&amp;oacute;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, eu j&amp;aacute; sei a resposta. O dif&amp;iacute;cil &amp;eacute; internalizar o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&amp;aacute; faz um tempo que estou sozinho, que n&amp;atilde;o me sinto visto &amp;mdash; como minha crian&amp;ccedil;a interior sempre pede, numa tentativa de reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelos anos em que ela esteve abandonada &amp;mdash; e eu n&amp;atilde;o morri. S&amp;oacute; preciso aceitar que &amp;eacute; um processo. E que, em algum momento, vai ficar tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem muita coisa mudando na minha cabe&amp;ccedil;a e, de quebra, o trabalho tamb&amp;eacute;m foi para um caminho mais dif&amp;iacute;cil, o que me deixa com menos tempo e mais estresse e ansiedade. Parece que estou enfrentando sete drag&amp;otilde;es ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo &amp;eacute; pesado. Se por um lado abandonei redes sociais que antes eram meu playground, por outro estou recuperando tempo e menos distra&amp;ccedil;&amp;atilde;o para hobbies que eu tinha deixado de lado. E isso, de certa forma, &amp;eacute; uma maneira mais saud&amp;aacute;vel de me reconciliar com o meu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa travessia entre depend&amp;ecirc;ncia de valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o e autonomia emocional tem sido o ponto da minha vida. Vamos ver por quanto tempo eu navegarei nesse barco, e aonde isso vai me levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=126603" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>A internet costumava ser um lugar</title>
    <published>2026-01-05T15:27:40Z</published>
    <updated>2026-03-23T10:05:01Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-path-to-node="5"&gt;Lembro-me de quando comecei a escrever aqui (ou no LiveJournal, h&amp;aacute; quase 18 anos); era um blog, como milhares de outras pessoas tinham naquela &amp;eacute;poca. Voc&amp;ecirc; documentava sua vida, seu dia a dia, o que vinha acontecendo... Era uma maneira de ser visto, de fazer-se sentir importante, em um tempo em que a internet era novidade, a tecnologia avan&amp;ccedil;ava, e a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que havia uma imensid&amp;atilde;o a se explorar te dava esperan&amp;ccedil;a de algo melhor.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="6"&gt;Aqui estamos, &amp;eacute; 2026, e eu n&amp;atilde;o suporto mais a internet. Talvez n&amp;atilde;o ela em si, mas o que as redes sociais (e aquilo que um dia admirei e fiz o poss&amp;iacute;vel para que integrasse mais pessoas) se tornaram.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="7"&gt;Eu n&amp;atilde;o aguento mais abrir o YouTube e dar de cara com um algoritmo t&amp;atilde;o t&amp;oacute;xico que, quando n&amp;atilde;o est&amp;aacute; me recomendando algo que devo comprar (porque um reviewer X ou Y disse), est&amp;aacute; me jogando na cara alguma not&amp;iacute;cia sobre o quanto o mundo est&amp;aacute; cada vez mais xenof&amp;oacute;bico, racista e cheio de &amp;oacute;dio. E sim, eu tento limpar as recomenda&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mas elas sempre voltam.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="8"&gt;O Instagram, que come&amp;ccedil;ou, a meu ver, como um sucessor espiritual e moderno do Fotolog, &amp;eacute; hoje o pior inimigo da minha autoestima. E a quest&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; o que vejo, mas como se criou uma cultura de que eu preciso ter uma &amp;quot;est&amp;eacute;tica&amp;quot; para postar e n&amp;atilde;o parecer &amp;quot;cringe&amp;quot;. E sim, eu caio na armadilha, mesmo quando a critico e penso que consigo sair dela. Eu n&amp;atilde;o consigo postar algo sem imaginar o que as pessoas ir&amp;atilde;o pensar de mim se eu n&amp;atilde;o seguir a cartilha da &amp;quot;pessoa descolada/est&amp;eacute;tica Pinterest&amp;quot; ou sei l&amp;aacute; o que os jovens (algo que deixei de ser) criaram para os tempos atuais.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="9"&gt;O Facebook virou uma rede de &lt;i data-path-to-node="9" data-index-in-node="29"&gt;fake news&lt;/i&gt; e compartilhamento de &lt;i data-path-to-node="9" data-index-in-node="61"&gt;clickbait&lt;/i&gt;. O finado Twitter, que agora &amp;eacute; X, virou uma grande rede de extrema-direita que propaga o pior do mundo, mas que mant&amp;eacute;m diversas cabe&amp;ccedil;as pensantes devido &amp;agrave; monetiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e &amp;agrave; nossa necessidade humana de valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o externa por engajamento. E sim, eu sei que sofro do mesmo problema de querer aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas, gra&amp;ccedil;as a Deus, vazei daquela rede antes de postar minhas belas n&amp;aacute;degas publicamente. Era a minha rede favorita, onde conheci algumas das melhores pessoas do mundo, mas j&amp;aacute; n&amp;atilde;o dava mais. Era a minha sa&amp;uacute;de mental ou ver conte&amp;uacute;do nazista &amp;agrave;s 9h da manh&amp;atilde; postado pelo pr&amp;oacute;prio dono da rede.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="10"&gt;&amp;Agrave;s vezes, &amp;eacute; preciso fazer escolhas. Mesmo quando doem, mesmo quando voc&amp;ecirc; ama aquilo que um dia defendeu, ou apenas sente gratid&amp;atilde;o pelo que te foi oferecido em determinado momento.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="11"&gt;Hoje, depois de tudo que vi e venho aprendendo, come&amp;ccedil;o a sentir saudades de quando a internet era um &lt;i data-path-to-node="11" data-index-in-node="101"&gt;lugar&lt;/i&gt;. Voc&amp;ecirc; entrava, compartilhava, fechava e ia embora. Eram tempos mais simples, onde voc&amp;ecirc; sa&amp;iacute;a para tirar uma foto com sua c&amp;acirc;mera digital e rezava para chegar em casa, subi-las no computador, editar no Picasa e postar no Orkut. Ningu&amp;eacute;m vinha te encher o raio da paci&amp;ecirc;ncia porque voc&amp;ecirc; era de esquerda, ou simplesmente acreditava que o mundo poderia ser igual para todos.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="12"&gt;Por&amp;eacute;m, da&amp;iacute; veio o algoritmo, as propagandas sem fim que irritam ao utilizar qualquer servi&amp;ccedil;o, a rolagem infinita, a propaga&amp;ccedil;&amp;atilde;o das &lt;i data-path-to-node="12" data-index-in-node="131"&gt;fake news&lt;/i&gt; de acordo com o que os bilion&amp;aacute;rios donos dessas companhias querem que eu veja e, por fim, um ciclo pelo qual venho passando por anos de completo v&amp;iacute;cio em telas.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="13"&gt;Quero melhorar a minha rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com tudo isso. E eu sei que n&amp;atilde;o posso simplesmente me isolar de tudo o que acontece l&amp;aacute; fora, ou viver como um neandertal antitecnologia, porque esse nunca fui eu.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="14"&gt;Preciso voltar a usar a internet de antes, ou os resqu&amp;iacute;cios dela que ainda est&amp;atilde;o aqui, como postar neste blog, &amp;quot;&lt;em&gt;microblogar&lt;/em&gt;&amp;quot; no Plurk, talvez subir fotos no Flickr, ou achar algum fotolog obscuro para postar fotos s&amp;oacute; pela magia de compartilhar algo que eu quero que o mundo veja, sem um algoritmo ditando o que as pessoas podem ver.&lt;/p&gt;&lt;p data-path-to-node="15"&gt;2026 n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; apenas nostalgia, mas ser&amp;aacute; mais leve, porque eu quero escolher v&amp;ecirc;-lo assim. E para isso, algumas coisas ter&amp;atilde;o que ir. E t&amp;aacute; tudo bem.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=126104" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Dezembro de 2025</title>
    <published>2026-01-05T14:41:10Z</published>
    <updated>2026-01-05T14:44:55Z</updated>
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    <content type="html">Esse ano eu escrevi por aqui muito mais do que pensei, mas sabe quando voc&amp;ecirc; sente a necessidade de ser lido/ouvido? Pois ent&amp;atilde;o, 2025 me trouxe de volta a terapia. Ter acompanhamento tem sido muito importante pra lidar com coisas que nunca fecharam, ou tinham se fechado. Comecei a estudar novas formas de an&amp;aacute;lise, novas metodologias que me ajudam al&amp;eacute;m de suporte profissional, e por fim, estou no processo de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da medica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da ansiedade, que tem sido muito mais dif&amp;iacute;cil que pensei, at&amp;eacute; porque, escolhi a pior &amp;eacute;poca do ano para come&amp;ccedil;ar: Outono quase inverno, pr&amp;oacute;ximo ao Natal, e meu anivers&amp;aacute;rio.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu costumo ficar sempre mal durante esse per&amp;iacute;odo do ano, n&amp;atilde;o porque eu o odeie, mas sim porque eu n&amp;atilde;o vejo a alegria toda que as pessoas veem. Eu acho um saco eu ter que ficar me martelando pra agradar os outros, enquanto como at&amp;eacute; passar mal, escuto pessoas que n&amp;atilde;o suporto falando merda numa mesa, e por isso, eu sempre me embebedo pra suportar a conviv&amp;ecirc;ncia. Pointless.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ano talvez eu n&amp;atilde;o compare&amp;ccedil;a a nenhuma ceia de 24 de Dezembro, conforme tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o latina. Primeiro porque eu tinha sido convidado pra uma, mas fui desconvidado em tempo recorde. Ando muito sens&amp;iacute;vel, e talvez me expor a algo que eu mesmo n&amp;atilde;o acredito muito, seja a melhor solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: esse post tinha sido deixado nos rascunhos, sem terminar, e eu acabei o postando em 5/1/2026 assim como estava escrito.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=125834" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Que le vent te porte</title>
    <published>2025-10-07T11:41:54Z</published>
    <updated>2026-03-23T10:05:27Z</updated>
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    <content type="html">&amp;nbsp;O meu grande problema &amp;eacute; que eu sempre sou a &amp;uacute;ltima pessoa a ir embora.&lt;p data-start="257" data-end="480"&gt;De todas as minhas quase-rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es, eu sempre fui quem ficou at&amp;eacute; o fim. A que sofreu no final, ou a que s&amp;oacute; saiu quando j&amp;aacute; n&amp;atilde;o havia mais o que segurar.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="482" data-end="751"&gt;Por exemplo, no caso do Dmitri, o russo, a gente tinha um &amp;ldquo;contrato&amp;rdquo;, um combinado. Eu decidi sumir da vida dele, mas ele desapareceu por uma semana anteriormente e rompeu com o acordado naquele momento. Ainda assim, percebo que, na maioria das vezes, eu sou a pessoa abandonada. A que fica. A que chora no final.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="753" data-end="1104"&gt;E talvez isso tenha ra&amp;iacute;zes antigas. Quando eu era crian&amp;ccedil;a, meus primos, que eram basicamente meus irm&amp;atilde;os, foram embora pra Portugal de uma noite pra outra. Os meus pais nem deixaram que se despedissem de mim, pra eu n&amp;atilde;o ficar &amp;quot;sentido&amp;quot;. Foi o que minha m&amp;atilde;e contou. De igual modo, os meus pais tamb&amp;eacute;m foram embora depois. Foram v&amp;aacute;rios abandonos, um atr&amp;aacute;s do outro.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1106" data-end="1367"&gt;N&amp;atilde;o sei por que isso pesou tanto pra mim. Pra algumas pessoas, essas coisas parecem n&amp;atilde;o deixar marca. Mas eu acho que carrego um medo profundo de abandono, de ser deixado pra tr&amp;aacute;s. Parece que, por isso, eu quero segurar todo mundo que entra na minha vida.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1369" data-end="1734"&gt;E olha o ir&amp;ocirc;nico: hoje moro na Espanha, meus primos est&amp;atilde;o em Portugal, e eu poderia ir v&amp;ecirc;-los v&amp;aacute;rias vezes, mas n&amp;atilde;o vou. Cresci algu&amp;eacute;m muito menos &amp;ldquo;fam&amp;iacute;lia&amp;rdquo;, muito mais eu e meus problemas, tentando me entender, na minha. At&amp;eacute; porque, quando a gente fica muito em cima dos outros &amp;mdash; fam&amp;iacute;lia, amigos, quem for &amp;mdash; pesa. Eu mesmo me sinto sobrecarregado. E n&amp;atilde;o gosto de carregar problemas que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o meus.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1736" data-end="2005"&gt;Mas &amp;eacute; isso&amp;hellip; a reflex&amp;atilde;o atual. Essa quest&amp;atilde;o do abandono, de ser deixado, me assombra tanto que eu acabo evitando me aproximar das pessoas. Por exemplo: eu n&amp;atilde;o queria cumprimentar meu ex quando o vi ontem a noite. Queria ter fingido que ele n&amp;atilde;o estava ali e seguir direto pra casa, porque eu sabia exatamente sobre o que iriamos falar.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2007" data-end="2174"&gt;Hoje eu t&amp;ocirc; aqui trabalhando e j&amp;aacute; escaparam umas l&amp;aacute;grimas. Eu estou ouvindo &lt;em data-start="2084" data-end="2107"&gt;L'Océan des Amoureux&lt;/em&gt;, do Aliocha Schneider, e tem uma parte da m&amp;uacute;sica em que ele canta:&lt;/p&gt; &lt;blockquote data-start="2176" data-end="2274"&gt; &lt;p data-start="2178" data-end="2274"&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;C&amp;rsquo;est pas l&amp;rsquo;fait qu&amp;rsquo;tu partes&lt;br data-start="2208" data-end="2211" /&gt; Qui fait mal, qui fait mal&lt;br data-start="2239" data-end="2242" /&gt; C&amp;rsquo;est la fa&amp;ccedil;on de s&amp;rsquo;y prendre&lt;/em&gt;&amp;rdquo;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p data-start="2276" data-end="2282"&gt;E d&amp;oacute;i.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2284" data-end="2602"&gt;Porque, na verdade, ontem &amp;agrave; noite na academia, apesar de eu ter fugido do Th&amp;eacute;o, eu acabei conversando com ele antes de ir embora. E foi&amp;hellip; bom, ele falando sobre o planejamento de ir embora (voltar pra Fran&amp;ccedil;a). E sabe, a dor n&amp;atilde;o sei se vem do fato de ser ele, mas sim de ser uma despedida. Mais uma pessoa que eu n&amp;atilde;o consegui reter na minha vida.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2604" data-end="2860"&gt;Ver ele indo embora desconstr&amp;oacute;i (ou destr&amp;oacute;i) uma hist&amp;oacute;ria. Um conto de &lt;strike&gt;falhas&lt;/strike&gt; fadas que n&amp;atilde;o funcionou. Uma proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que eu conseguiria proteg&amp;ecirc;-lo, fazer ele se sentir pertencente, que eu poderia consert&amp;aacute;-lo, e que a gente seria um casal bonitinho de margarina.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2862" data-end="3084"&gt;N&amp;atilde;o estamos juntos desde mar&amp;ccedil;o, e eu n&amp;atilde;o sinto que realmente queira estar com algu&amp;eacute;m que n&amp;atilde;o me responde no WhatsApp, que n&amp;atilde;o tinha mais sexo, que mostrava t&amp;atilde;o pouco interesse no que eu fazia. Eu sei que preciso de mais.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="3086" data-end="3323"&gt;Mas sabe quando voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; que suas proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es tamb&amp;eacute;m est&amp;atilde;o indo embora? Por tr&amp;aacute;s do Th&amp;eacute;o, tamb&amp;eacute;m tem a hist&amp;oacute;ria com o Fran&amp;ccedil;ois. &amp;Eacute; como se eu tivesse falhado com mais um franc&amp;ecirc;s, e essa &amp;eacute; mais uma figura que constru&amp;iacute; no plano de que &amp;quot;preciso ser aceito por quem me rejeitou&amp;quot;. Mais um menino bonito que n&amp;atilde;o me escolheu e preferiu ir.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="3325" data-end="3527"&gt;Tem um pouco da ideia da minha m&amp;atilde;e tentando consertar meu pai, talvez. Mas tem tamb&amp;eacute;m eu, sozinho, aceitando que o amor rom&amp;acirc;ntico &amp;eacute; uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o dolorosa, e que eu estarei sozinho por mais um tempo.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="3529" data-end="3659"&gt;E agora, com minhas viagens solo de f&amp;eacute;rias se aproximando, fica mais dif&amp;iacute;cil n&amp;atilde;o pensar em como seria se eu tivesse a companhia de algu&amp;eacute;m.&lt;/p&gt; &lt;blockquote data-start="3661" data-end="3712"&gt; &lt;p data-start="3663" data-end="3712"&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;Sur l&amp;rsquo;oc&amp;eacute;an des amoureux,&lt;br data-start="3689" data-end="3692" /&gt; Vogue o&amp;ugrave; tu veux&lt;/em&gt;.&amp;rdquo;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=125680" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>SISTEMA.</title>
    <published>2025-09-09T13:55:02Z</published>
    <updated>2026-03-23T10:05:44Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-start="298" data-end="418"&gt;Eu n&amp;atilde;o pedi pra nascer, mas um belo dia fui jogado neste mundo e me disseram o que eu tinha que fazer para sobreviver.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="420" data-end="615"&gt;Tive uma inf&amp;acirc;ncia que, naquela &amp;eacute;poca, parecia bonita e sem press&amp;atilde;o, e me levava a acreditar que a vida seria um conto de fadas. Mas os dias passam, voc&amp;ecirc; envelhece e percebe que n&amp;atilde;o &amp;eacute; bem assim.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="617" data-end="1007"&gt;Ando me dissociando muito. Venho repensando qual caminho devo seguir, agora que cheguei at&amp;eacute; aqui. Cresci achando que eu era um problema por n&amp;atilde;o me adequar na minha cidade, no meu cabelo, no meu corpo e nos moldes perfeitos da sociedade. Hoje entendo que o buraco &amp;eacute; mais embaixo: o verdadeiro preju&amp;iacute;zo n&amp;atilde;o &amp;eacute; ser quem eu sou, mas me condicionar a mudar minha ess&amp;ecirc;ncia para caber no sistema.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1009" data-end="1538"&gt;Sempre odiei meu corpo, n&amp;atilde;o por me achar feio, mas por n&amp;atilde;o fazer parte do padr&amp;atilde;o. Meu cabelo come&amp;ccedil;ou a cair antes dos 18, resultado de gen&amp;eacute;tica, estresse e da press&amp;atilde;o de tentar me encaixar no mundo heteronormativo. Minha barriga sempre foi fl&amp;aacute;cida, independentemente do peso, e s&amp;oacute; depois percebi o quanto a s&amp;iacute;ndrome do intestino irrit&amp;aacute;vel &amp;eacute; respons&amp;aacute;vel por isso. Meus outros tra&amp;ccedil;os s&amp;atilde;o &amp;ldquo;aceit&amp;aacute;veis&amp;rdquo;, j&amp;aacute; que sou aparentemente branco. Mas aceit&amp;aacute;vel para quem? Por que eu tenho que sacrificar meu amor-pr&amp;oacute;prio para agradar algu&amp;eacute;m?&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1540" data-end="1837"&gt;Sempre tentei ser o menino inteligente e curioso. Tamb&amp;eacute;m j&amp;aacute; fui criativo, mas alguns eventos me for&amp;ccedil;aram a crescer antes da hora, e a criatividade foi ficando de lado. Hoje, o mesmo sistema que me disse para &amp;ldquo;evoluir&amp;rdquo; exige que eu volte a ser criativo &amp;mdash; sem me dar tempo ou ferramenta para isso.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1839" data-end="2296"&gt;Talvez eu tenha aprendido a ser emp&amp;aacute;tico demais para poder ser aceito por pessoas com baixa autoestima e de apego ansioso que quiseram me usar como muleta emocional, e por achar que s&amp;oacute; assim eu seria aceito, acabei deixando essas amizades sugarem minha energia por muito tempo. Sorte que, neste ponto, eu acordei h&amp;aacute; alguns anos, mas ainda assim, &amp;eacute; muito dif&amp;iacute;cil escapar desse tipo de pessoa na minha vida, parece que eu sigo atraindo esse tipo de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2298" data-end="2509"&gt;Venho tentando entender a estrutura da sociedade, porque n&amp;atilde;o adianta s&amp;oacute; fazer terapia. Trabalhar meus traumas me ajuda a me adaptar, mas n&amp;atilde;o resolve o problema maior: a sociedade foi moldada para nos destruir.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2511" data-end="2870"&gt;Com ansiedade, por exemplo: numa crise de p&amp;acirc;nico, espera-se que eu me medique, trabalhe meu psicol&amp;oacute;gico, reforme meu &amp;ldquo;mindset&amp;rdquo; para agir com normalidade. Tudo para n&amp;atilde;o ser visto como maluco. Ou seja, fa&amp;ccedil;o terapia para me adequar &amp;agrave; sociedade &amp;mdash; a mesma que j&amp;aacute; me fez suprimir quem eu era quando crian&amp;ccedil;a: um menino criativo, sem peso, sem precisar provar nada.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2872" data-end="3367"&gt;E o amor? A constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o que me foi ensinada &amp;eacute; a do amor rom&amp;acirc;ntico, que at&amp;eacute; pouco tempo atr&amp;aacute;s quase nem existia. Casamento era contrato, e sentimento era visto como fraqueza ou at&amp;eacute; pecado. Ainda assim, desde crian&amp;ccedil;a, eu j&amp;aacute; era comparado com os meninos bonitos, do cabelo bom, de padr&amp;otilde;es inalcan&amp;ccedil;&amp;aacute;veis para mim. Passei a vida tentando que um deles me amasse, como se isso validasse a minha exist&amp;ecirc;ncia. Sempre acreditei que, se algu&amp;eacute;m de fora me aceitasse, talvez eu conseguisse me sentir inteiro.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="3369" data-end="3779"&gt;S&amp;oacute; que isso n&amp;atilde;o se sustenta. As estruturas do amor rom&amp;acirc;ntico est&amp;atilde;o caindo, e o sistema n&amp;atilde;o te d&amp;aacute; tempo de se enxergar, de estar bem consigo mesmo. Faz voc&amp;ecirc; acreditar que s&amp;oacute; estar&amp;aacute; completo com outro algu&amp;eacute;m &amp;mdash; que, no fundo, tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; perdido. Talvez seja por isso que tanta gente pula de rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o: n&amp;atilde;o porque sejam apenas infi&amp;eacute;is, mas porque tentam provar ao mundo um valor que nem sabem que t&amp;ecirc;m.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="3781" data-end="4181"&gt;O problema n&amp;atilde;o sou eu, voc&amp;ecirc;, ou aquela pessoa que n&amp;atilde;o me olhou como eu queria. Existe uma estrutura que nos condicionou a acreditar que sempre seremos insuficientes. Desde pequenos j&amp;aacute; fomos programados: estude, trabalhe, se case, tenha filhos, compre uma casa. Se n&amp;atilde;o conseguir, falhou. Se conseguir, ainda faltar&amp;aacute; algo &amp;mdash; porque o motor do capitalismo &amp;eacute; te convencer de que voc&amp;ecirc; nunca &amp;eacute; o bastante.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="4183" data-end="4572"&gt;Eu n&amp;atilde;o quero mais viver correndo atr&amp;aacute;s de um amor que seja apenas reflexo do meu &amp;oacute;dio por mim mesmo. N&amp;atilde;o quero mais um emprego que me pague para sobreviver, mas me consuma toda a energia. N&amp;atilde;o sou respons&amp;aacute;vel por curar os problemas dos outros. N&amp;atilde;o tenho que odiar meu corpo por n&amp;atilde;o ser padr&amp;atilde;o. Preciso me aceitar e abra&amp;ccedil;ar meu eu interno com o amor que tantas vezes reservei para o outro.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="4574" data-end="4696"&gt;N&amp;atilde;o quero mais encontros sociais em que eu tenha que competir por quem tem a vida melhor. Cansei de tapinhas nas costas.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="4698" data-end="4856"&gt;Ainda que eu saiba que a esperan&amp;ccedil;a de ruptura total &amp;eacute; quase imposs&amp;iacute;vel, minha busca n&amp;atilde;o &amp;eacute; por rem&amp;eacute;dio para a &amp;ldquo;anormalidade&amp;rdquo;. &amp;Eacute; por ruptura com o que oprime.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="4858" data-end="4885"&gt;Eu quero romper a Matrix.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=125227" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Guilhermino de Oliveira</title>
    <published>2025-08-12T13:24:33Z</published>
    <updated>2026-03-23T10:06:28Z</updated>
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    <content type="html">&amp;nbsp;Tr&amp;ecirc;s meses sem sexo, dois meses sem aplicativos de relacionamento... Mas ainda tenho acesso ao Tinder pelo navegador e sinto que estou falhando com meu prop&amp;oacute;sito de me livrar de redes sociais que lucram com a deteriora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da minha autoestima.&lt;p&gt;N&amp;atilde;o quero culpar o Tinder por todos os meus problemas, mas a verdade &amp;eacute; que eu queria conhecer algu&amp;eacute;m da &amp;quot;maneira antiga&amp;quot;: na rua, na academia, no bar. N&amp;atilde;o quero mais projetar algo em homens ideais. Eu s&amp;oacute; queria poder viver o que o Gustavo crian&amp;ccedil;a sonhava: aqueles amores adolescentes na escola, o primeiro beijo com algu&amp;eacute;m do ciclo de amigos, um namorico escondido com um colega de sala, ser assunto entre os colegas, receber cartinhas. Infelizmente, o meu tempo para isso j&amp;aacute; passou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquela &amp;eacute;poca da escola, eu n&amp;atilde;o era um dos meninos que chamavam a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Devia ser, inclusive, um dos esquisitos, para n&amp;atilde;o dizer outra coisa. Minha irm&amp;atilde;, sim, era popular e andava com as meninas que se vestiam bem, tinham dinheiro e eram bonitas. Ser irm&amp;atilde;o de uma menina &amp;quot;querida pelos demais&amp;quot; e amiga das populares me tornava menos vulner&amp;aacute;vel ao bullying. De certa forma, eu a considerava meu &lt;strong&gt;escudo&lt;/strong&gt;, mesmo que nunca tenha dito isso a ela. Lembro que o irm&amp;atilde;o de um amigo meu vivia me tratando de forma pejorativa, e minha irm&amp;atilde; percebeu, tomando partido contra ele. Aquele foi um momento que me marcou. Eu me senti protegido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao analisar meu passado, penso que eu s&amp;oacute; queria ter vivido as coisas que n&amp;atilde;o me foram permitidas. Hoje, eu entendo que o amor rom&amp;acirc;ntico e essas experi&amp;ecirc;ncias adolescentes podem ser constru&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais, mas eu n&amp;atilde;o tive a chance de viv&amp;ecirc;-las. E mesmo tendo tido relacionamentos depois de &amp;quot;velho&amp;quot;, ainda sinto que queria estar vivendo coisas que, por causa da minha orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o aconteceram. &amp;Eacute; a&amp;iacute; que outros fatores entram em jogo, como o impacto disso na minha autoestima e como imagino que as pessoas ao meu redor me veem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, eu sei que eu deveria me sentir bem comigo mesmo, esquecer os outros, me aceitar e me amar. Mas se eu sempre esperei pelo amor do outro que nunca veio, e toda uma sociedade me coloca nesse papel de quem deve esperar, o que posso fazer?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto escrevo, uma imagem me vem &amp;agrave; cabe&amp;ccedil;a: o Gustavo de 10-12 anos, no auge da pr&amp;eacute;-adolesc&amp;ecirc;ncia, na &amp;eacute;poca de &amp;quot;Malha&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;quot;. Adolescentes vivendo romances. Lembro de sair da escola &amp;agrave;s 17h, chegar em casa e assistir &amp;agrave; novela com minha m&amp;atilde;e e minha irm&amp;atilde;. Havia sempre um &lt;strong&gt;casal h&amp;eacute;tero&lt;/strong&gt; disputado por duas meninas, uma a &lt;strong&gt;vil&amp;atilde; &lt;/strong&gt;e a outra a &lt;strong&gt;mocinha&lt;/strong&gt;. Eu sonhava em viver algo parecido, mas eu n&amp;atilde;o era bonito, h&amp;eacute;tero ou padr&amp;atilde;o o suficiente para me encaixar em nenhum desses pap&amp;eacute;is.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apesar de tudo, eu me esforcei para virar o menino engra&amp;ccedil;ado, o irm&amp;atilde;o da menina popular.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra imagem daquele mesmo tempo me assombra: eu, sentado sozinho na escada da Escola Estadual Guilhermino de Oliveira, vendo dois alunos sa&amp;iacute;rem. Um deles, vamos dizer que se chama Andr&amp;eacute;, e a menina, Tamires. Eles est&amp;atilde;o marcando de se beijar na pracinha depois da aula. Enquanto isso, eu estou l&amp;aacute;, sozinho na escada, esperando meu momento que nunca veio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa cena &amp;eacute; s&amp;oacute; um peda&amp;ccedil;o de muita coisa que sonhei em viver e n&amp;atilde;o vivi. Eu morria de inveja dos meninos bonitos, desejados, com &amp;quot;cabelo bom&amp;quot; e/ou que tinham dinheiro. Eu nunca senti que fui realmente &amp;quot;visto&amp;quot;. Estive na sombra da minha irm&amp;atilde; por tanto tempo, ou apenas fazendo o papel do menino engra&amp;ccedil;ado. Ao menos eu tinha meu hobby de jogar videogame, assistir animes e ler quadrinhos. Nesses lugares, eu podia esquecer que o resto do mundo existia. E apesar de eu estar descrevendo essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o agora com dor, naquela &amp;eacute;poca eu era t&amp;atilde;o inocente que n&amp;atilde;o pesava tanto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ent&amp;atilde;o sim, fechar o Tinder, algo que eu quero muito fazer, talvez me leve a voltar a ser um Gustavo sentado na escada do Guilhermino de Oliveira, vendo outras Tamires e outros Andr&amp;eacute;s por a&amp;iacute;, e esperando minha vez. N&amp;atilde;o porque eu precise de algu&amp;eacute;m, mas porque ningu&amp;eacute;m me escolheu quando eu talvez mais precisasse. E se eu deletar esse aplicativo, que mesmo sabendo que afeta meu psicol&amp;oacute;gico de modo doloroso, ainda &amp;eacute; um dos poucos lugares que me permitem conhecer pessoas para viver uma experi&amp;ecirc;ncia mais pr&amp;oacute;xima ao que o Gustavo pr&amp;eacute;-adolescente sonhava, que garantia terei de que poderei conhecer algu&amp;eacute;m em um mundo que n&amp;atilde;o &amp;eacute; projetado para pessoas como eu?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=124953" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Construção</title>
    <published>2025-08-06T12:32:37Z</published>
    <updated>2025-08-06T12:32:37Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-start="154" data-end="382"&gt;J&amp;aacute; faz um tempo que n&amp;atilde;o passo por aqui, e acho que chegou o momento para uma atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tenho feito terapia novamente e, depois de um per&amp;iacute;odo turbulento, como pude descrever nos &amp;uacute;ltimos textos, come&amp;ccedil;o a me encontrar de novo.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="384" data-end="931"&gt;Tenho recuperado um pouco da minha consci&amp;ecirc;ncia e, mais do que me distanciar, come&amp;ccedil;o a entender melhor por que talvez eu precise deixar velhos h&amp;aacute;bitos para tr&amp;aacute;s. Isso tamb&amp;eacute;m tem me ajudado a equilibrar a cabe&amp;ccedil;a, que estava num per&amp;iacute;odo ca&amp;oacute;tico at&amp;eacute; o in&amp;iacute;cio do m&amp;ecirc;s passado. Logo eu, que me achava t&amp;atilde;o consciente de tudo que acreditava ser a realidade, descobri que estava vivendo outra vez em cima de uma m&amp;aacute;scara de prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Talvez ela fizesse sentido at&amp;eacute; certo ponto, mas como busco evoluir, j&amp;aacute; n&amp;atilde;o faz mais... Assim como tantas coisas nesta vida.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="933" data-end="1258"&gt;Tenho tra&amp;ccedil;ado metas, me reconectado com aquele pequeno eu interior que come&amp;ccedil;ou a escrever este blog h&amp;aacute; 18 anos, e entendido que ele precisa de acolhimento. Porque ele ainda vive aqui dentro, com proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es que ainda me afetam nos dias atuais, mas que foram criadas l&amp;aacute; atr&amp;aacute;s, para me proteger quando eu me sentia desamparado.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1260" data-end="1644"&gt;Mas, mais do que tudo, venho aprendendo que errar ser&amp;aacute; sempre uma constante na minha vida. Que a perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o se alcan&amp;ccedil;a &amp;mdash; e isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; da boca pra fora. Por mais que a sociedade nos cobre isso, quando chegamos perto do que nos &amp;eacute; pedido, os padr&amp;otilde;es mudam. Ent&amp;atilde;o eu preciso aprender a lidar com a dor, ao inv&amp;eacute;s de tentar solucionar tudo buscando algo que n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel alcan&amp;ccedil;ar.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1646" data-end="1881"&gt;E sobre os relacionamentos? Bom, t&amp;aacute; tudo envolvido nesse processo. Resolvi me fechar para balan&amp;ccedil;o, at&amp;eacute; que eu entenda que n&amp;atilde;o vai ser um homem ideal ou um pr&amp;iacute;ncipe encantado, montado num cavalo branco, que vai me salvar de mim mesmo.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1883" data-end="2013"&gt;Acho que, de momento, &amp;eacute; isso. Estou num processo de analisar cada movimento, e o resultado de tudo isso &amp;eacute; pequeno, mas &amp;eacute; di&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2015" data-end="2066"&gt;Quem sabe logo eu volto aqui com uma nova aventura?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=124809" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Natalie Imbruglia</title>
    <published>2025-06-22T22:32:15Z</published>
    <updated>2025-06-23T12:28:24Z</updated>
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    <content type="html">Aqui estou eu, ouvindo Natalie Imbruglia e lembrando do Gustavo de 2007, 2008, por a&amp;iacute;. Nessa &amp;eacute;poca, eu tinha acabado de descobrir a discografia dela. Muitas m&amp;uacute;sicas marcaram aquela temporada. Na verdade, eu j&amp;aacute; conhecia &amp;quot;&lt;strong&gt;Torn&lt;/strong&gt;&amp;quot;, que &amp;eacute; um grande hit e que acredito que basicamente todo ser humano vivo conhece. Mas quando me aprofundei nas m&amp;uacute;sicas da Natalie, tamb&amp;eacute;m comecei a descobrir v&amp;aacute;rias can&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais tristes que se identificavam com aquele adolescente confuso que eu era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;div&gt;Durante aquele tempo, eu era um garoto que estava se descobrindo, que queria sonhar mais alto. Contudo, pensava que para isso precisaria escapar de onde estava. Naquele momento, eu n&amp;atilde;o tinha muita consci&amp;ecirc;ncia de que o que eu queria era escapar de mim mesmo. A pris&amp;atilde;o, ainda que eu n&amp;atilde;o aceitasse, estava dentro da minha mente. Pode parecer engra&amp;ccedil;ado e estranho falar assim, porque hoje me dou conta de coisas para as quais eu n&amp;atilde;o estava preparado antes e eu n&amp;atilde;o tinha tanto acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Eu era uma pessoa de aproximadamente 15, 16 anos, com muito menos consci&amp;ecirc;ncia da vida do que tenho hoje.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma das coisas que me lembro dessa &amp;eacute;poca, enquanto me aprofundava na discografia da Natalie, &amp;eacute; que eu ouvia a m&amp;uacute;sica &amp;quot;&lt;strong&gt;Counting Down the Days&lt;/strong&gt;&amp;quot;. Ela cantava sobre contar os dias para escapar para algum lugar onde algu&amp;eacute;m a esperava. A letra &amp;quot;&lt;em&gt;...tonight / I just want to be a million miles away from here / I'm counting down the days&lt;/em&gt;&amp;quot; ressoava muito. Eu me sentia meio assim, sabe? Sentia que em algum lugar, muito distante, haveria algu&amp;eacute;m me esperando. E esse algu&amp;eacute;m salvaria o Gustavo que estava ali, daquele lado do computador, escutando m&amp;uacute;sicas. Triste, porque eu pensava que ningu&amp;eacute;m fora daquele quarto, al&amp;eacute;m da internet, poderia me entender.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Havia uma outra can&amp;ccedil;&amp;atilde;o, na mesma &amp;eacute;poca e do mesmo &amp;aacute;lbum, que tamb&amp;eacute;m se tornou bastante meu mantra, chamada &amp;quot;&lt;strong&gt;Shiver&lt;/strong&gt;&amp;quot;. Nela, a Natalie canta: &amp;quot;&lt;em&gt;I walk a mile with a smile / And I don't know / I don't care where I am / But I know it's alright&lt;/em&gt;&amp;quot;. Era justamente assim que eu queria me sentir, porque eu acreditava que somente quando eu escapasse de tudo aquilo que me rodeava e come&amp;ccedil;asse uma nova hist&amp;oacute;ria em outro lugar, onde ningu&amp;eacute;m me conhecesse, &amp;eacute; que eu poderia ser feliz. Assim, ainda que eu n&amp;atilde;o fosse entendido pelas pessoas do novo local, ningu&amp;eacute;m me julgaria pelo passado, mas poderiam me aceitar pelo que eu era. E bom, olha onde a vida me trouxe.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro de in&amp;uacute;meras vezes em que ia a eventos com meus amigos, naquela &amp;eacute;poca basicamente heterossexuais e casados. Eu fazia amizade com as meninas, escutava essas m&amp;uacute;sicas, al&amp;eacute;m de quase toda a discografia da Natalie na &amp;eacute;poca, e pensava: &amp;quot;Por que eu n&amp;atilde;o perten&amp;ccedil;o a isso aqui?&amp;quot;. Eu queria muito pertencer, mas talvez o lugar onde eu deveria estar era onde Natalie, a cantora dessas m&amp;uacute;sicas com as quais eu me identificava tanto, fazia sucesso. No caso, o Reino Unido. Sei que Londres n&amp;atilde;o &amp;eacute; onde ela vive, ela vive na Austr&amp;aacute;lia, mas foi em Londres, o principal mercado musical da Europa, que ela alcan&amp;ccedil;ou o sucesso. E a&amp;iacute; eu pensava: &amp;quot;London, what a place to be...&amp;quot;. Eu sonhava em ir para um lugar como esse, onde a Natalie era conhecida. Se ali viviam pessoas que escutavam m&amp;uacute;sicas que se identificavam com ela, talvez elas tamb&amp;eacute;m se identificassem comigo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na &amp;eacute;poca, creio que ainda em 2008-2010, eu pensava que tudo seria muito f&amp;aacute;cil, era s&amp;oacute; chegar em Londres. Inclusive, houve uma certa discuss&amp;atilde;o familiar durante esse tempo sobre eu ir para l&amp;aacute;; pelo menos me iludiram com essa possibilidade, pois tive um tio morando l&amp;aacute; durante um tempo. Mas n&amp;atilde;o seria f&amp;aacute;cil, e depois seriam tantas complica&amp;ccedil;&amp;otilde;es que, gra&amp;ccedil;as a Deus, n&amp;atilde;o aconteceu. Eu n&amp;atilde;o estava preparado, e hoje eu aceito isso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha vida seguiu. Eu continuei ouvindo Natalie Imbruglia. Muitas m&amp;uacute;sicas dela continuaram movendo a minha vida. Por ironia do destino, acabei indo para S&amp;atilde;o Paulo estudar em 2011, uma cidade que, devido a coisas que aconteceram no meu passado, eu realmente n&amp;atilde;o gostava, n&amp;atilde;o me identificava. Eu j&amp;aacute; estava traumatizado de uma outra experi&amp;ecirc;ncia que tive em 2005, depois tentei de novo em 2008.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro tamb&amp;eacute;m que, durante o tempo em que morei em S&amp;atilde;o Paulo, a primeira vez que fui visitar Inhapim, minha cidade natal onde morei por quase 19 anos, foi perto do meu anivers&amp;aacute;rio de 20 anos, ainda em 2011. A trilha sonora do in&amp;iacute;cio da minha segunda d&amp;eacute;cada de vida foi &amp;quot;&lt;strong&gt;Twenty&lt;/strong&gt;&amp;quot;, e a partir dali eu pensava: o que vir&amp;aacute; daqui para frente? Nessa letra, a Natalie canta: &amp;quot;&lt;em&gt;Tell me where I'm heading / Tell me I could be there soon / Somewhere I've forgotten / I'll die a little more for you... When everything is broken there's a piece I'll never use&lt;/em&gt;&amp;quot;. Nessa &amp;eacute;poca eu ainda n&amp;atilde;o sentia que S&amp;atilde;o Paulo era o meu lugar, mas eu tinha que estar l&amp;aacute; para come&amp;ccedil;ar a me abrir. Eu ainda n&amp;atilde;o estava fora do arm&amp;aacute;rio, ent&amp;atilde;o eu ainda pensava dentro da caixinha de como seria quando um dia eu pudesse ser eu de verdade. Mas eu j&amp;aacute; sabia que S&amp;atilde;o Paulo tinha muito mais possibilidade de me aceitar do que a minha cidade natal. E essa m&amp;uacute;sica da Natalie foi um divisor naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="https://i.imgur.com/s06uR1E.jpeg" width="450" height="253" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ap&amp;oacute;s quase tr&amp;ecirc;s anos em S&amp;atilde;o Paulo, minha vida come&amp;ccedil;ou a andar. J&amp;aacute; era por volta do final de 2013 quando a cidade me apresentou o mundo que sonhei e come&amp;ccedil;ou a me acolher. Comecei a me abrir, e assim a trilha dedicada &amp;agrave; cidade e ao momento foi &amp;quot;&lt;strong&gt;Sanctuary&lt;/strong&gt;&amp;quot;, outra m&amp;uacute;sica da Natalie onde ela canta: &amp;quot;&lt;em&gt;This town and everyone in it / Moves a little faster than the underground&lt;/em&gt;&amp;quot;. E de fato, esse ritmo ca&amp;oacute;tico de S&amp;atilde;o Paulo foi o que me moveu durante muito tempo. Ali eu acabei me sentindo parte, ou pelo menos eu conquistei esse direito de ser aceito como imaginava que deveria ter sido por toda minha vida, porque existiam muitas pessoas reais de carne e osso como eu. Todo esse processo demorou, porque obviamente eu fui construindo conex&amp;otilde;es, fui atr&amp;aacute;s desse sonho. Nessas conex&amp;otilde;es, eu tamb&amp;eacute;m me apaixonei.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Durante esse momento em que me apaixonei, quando finalmente tentei gostar de algu&amp;eacute;m e me permitir, eu tamb&amp;eacute;m sofri. Sofri com uma rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o onde eu ouvia &amp;quot;&lt;strong&gt;Come On Home&lt;/strong&gt;&amp;quot;, outra m&amp;uacute;sica da Natalie. Nessa m&amp;uacute;sica ela falava: &amp;quot;&lt;em&gt;Beautiful day / Shined when I needed that most&lt;/em&gt;&amp;quot;. Realmente, &amp;agrave;s vezes, o dia precisava brilhar para que eu pudesse me lembrar que precisava voltar para minha casa, voltar para mim. Eu me permitia sofrer porque n&amp;atilde;o entendia quem eu realmente era. Por mais que estivesse crescendo, eu realmente ainda precisava muito da valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o externa. Ainda preciso, na verdade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, anos se passaram, a vida foi movendo, eu fui crescendo, desabrochando, fiz viagens. Lembro que tamb&amp;eacute;m em 2013, o &amp;aacute;lbum de covers da Natalie, &amp;quot;&lt;u&gt;Male&lt;/u&gt;&amp;quot;, foi lan&amp;ccedil;ado. Ele cont&amp;eacute;m seu cover de &amp;quot;&lt;strong&gt;Summer&lt;/strong&gt;&amp;quot; e outro cover chamado &amp;quot;&lt;strong&gt;The Wind&lt;/strong&gt;&amp;quot;, que tamb&amp;eacute;m foram trilhas sonoras de dias de ver&amp;atilde;o, de algumas das primeiras viagens que fiz sozinho. Carregavam muitas das promessas que fiz a mim mesmo quando sa&amp;iacute; de Inhapim. Um pouco daquele Gustavo que sonhava, naquela &amp;eacute;poca, que um dia eu poderia fazer as coisas por mim mesmo. E isso marcou bastante, sabe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir da&amp;iacute;, a Natalie n&amp;atilde;o fez mais nenhum lan&amp;ccedil;amento de m&amp;uacute;sica por um tempo, e meu gosto musical tamb&amp;eacute;m passou por uma bela transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Natalie j&amp;aacute; n&amp;atilde;o era mais uma das artistas que eu mais ouvia, mas ela e as m&amp;uacute;sicas dela continuaram sendo pontos importantes nos meus dias de fossa, naqueles dias bem tristes. Por exemplo, como n&amp;atilde;o falar de &amp;quot;&lt;strong&gt;Beauty on the Fire&lt;/strong&gt;&amp;quot; e uma frase importante que ela diz aqui: &amp;quot;&lt;em&gt;Do I assume I could fly?&lt;/em&gt;&amp;quot;. E assim foi meu primeiro grande voo, quando me mudei para a Irlanda em 2018. Inicialmente, quando sentia que nada ali era meu, que aquele n&amp;atilde;o era o meu lugar, que eu estava triste, voltava a &amp;quot;&lt;u&gt;Counting Down the Days&lt;/u&gt;&amp;quot;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Durante esses dois anos e quatro meses que vivi na Irlanda (Novembro de 2018 a Janeiro de 2021), conheci primeiramente uma pessoa pela qual fiquei obcecado, que era um franc&amp;ecirc;s. Lembro de andar de bicicleta e pensar em n&amp;oacute;s com &amp;quot;&lt;strong&gt;Wrong Impression&lt;/strong&gt;&amp;quot;: &amp;quot;&lt;em&gt;Falling out, falling out / Haven you ever wondered / What we could've been / If you'd only let me in&lt;/em&gt;&amp;quot;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez por eu sempre repetir padr&amp;otilde;es de n&amp;atilde;o aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o durante minha vida, esse franc&amp;ecirc;s se apresentou como algu&amp;eacute;m que eu queria muito que me aceitasse, que me validasse, que fosse aquilo que eu sempre sonhei, e que ele pudesse me salvar de mim mesmo. Mas chegou um momento, em meados de 2019, que ele foi embora. Quando o franc&amp;ecirc;s foi embora, milagrosamente, chegou uma outra pessoa que eu tamb&amp;eacute;m conversei no Tinder antes de me relacionar com o franc&amp;ecirc;s, mas que n&amp;atilde;o havia chegado at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o: o turco. Ele chegou na Irlanda pouco depois que o franc&amp;ecirc;s se foi. Durante o tempo que estive com o turco, ele me lembrava o franc&amp;ecirc;s pelo aspecto f&amp;iacute;sico, mas eu sentia que estava traindo a mem&amp;oacute;ria do franc&amp;ecirc;s e enganando o turco ao mesmo tempo. Resumidamente, pouco tempo depois me afastei do turco, porque eu vivia na mem&amp;oacute;ria do franc&amp;ecirc;s, inclusive conversava e implorava para o franc&amp;ecirc;s continuar me notando, ainda que de longe.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com esses dois vem muito mais com o lan&amp;ccedil;amento do &amp;aacute;lbum &amp;quot;&lt;u&gt;Firebird&lt;/u&gt;&amp;quot;, em meados de 2021. Ele cont&amp;eacute;m uma m&amp;uacute;sica muito especial chamada &amp;quot;&lt;strong&gt;Just Like Old Times&lt;/strong&gt;&amp;quot;. Quando penso nessa m&amp;uacute;sica, v&amp;ecirc;m essas duas pessoas &amp;agrave; cabe&amp;ccedil;a, uma faca de dois gumes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim foram esses dois anos na Irlanda, eu sofrendo pela constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma fantasia que criei. Eu vivia dentro da mem&amp;oacute;ria do que vivi com o franc&amp;ecirc;s, eu o via em lugares, em muitos quartos confusos, bebendo, falando com estrangeiros, apenas desejando que eles me conhecessem, como foi com o franc&amp;ecirc;s. Talvez por isso eu o enxergue em &amp;quot;&lt;strong&gt;Just Like Old Times&lt;/strong&gt;&amp;quot;, na parte do refr&amp;atilde;o onde ela canta: &amp;quot;&lt;em&gt;It's been a long time and I know we're doing fine / But I was wondering if you're happy and if I'm ever on your mind / 'Cause there's been so many nights in too many crowded rooms / Lost in a drink, talking to strangers, just wishing they were you&lt;/em&gt;&amp;quot;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobre o turco? Ele havia ido embora da Irlanda para a Turquia pouco antes da pandemia come&amp;ccedil;ar em 2020. Naquela &amp;eacute;poca, eu expliquei para ele toda a hist&amp;oacute;ria do porqu&amp;ecirc; decidi me afastar, de que eu ainda estava apaixonado pelo franc&amp;ecirc;s. Eu n&amp;atilde;o queria machuc&amp;aacute;-lo, mas ele me disse que doeu bastante quando eu decidi subitamente desaparecer da vida dele. Isso me doeu muito e eu fiquei realmente muito mal pelas duas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es: primeiro porque fiz algu&amp;eacute;m que gostava de mim sofrer e segundo porque gostava de uma outra pessoa que n&amp;atilde;o me correspondia. Isso me abriu para a an&amp;aacute;lise de um padr&amp;atilde;o de rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o horr&amp;iacute;vel que eu vinha repetindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu fiquei sem nem um, nem outro. E como a Natalie canta em &amp;quot;&lt;strong&gt;Scars&lt;/strong&gt;&amp;quot;: &amp;quot;&lt;em&gt;Because you've left me here here in the middle of it...&lt;/em&gt;&amp;quot;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A vida seguiu, eu mudei para a Espanha. O franc&amp;ecirc;s j&amp;aacute; se casou, o turco continuou no pa&amp;iacute;s dele, mas a gente continuou mantendo um certo di&amp;aacute;logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de 2024, planejei uma viagem &amp;agrave; Istambul. Porque por anos, eu ainda sentia que precisava encerrar ali um cap&amp;iacute;tulo. Reencontrei o menino que feri no passado, e ele, em contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, me recebeu como um amigo de bra&amp;ccedil;os abertos. A &amp;uacute;nica m&amp;uacute;sica que vinha &amp;agrave; cabe&amp;ccedil;a, novamente, era Natalie Imbruglia cantando &amp;quot;&lt;strong&gt;Just Like Old Times&lt;/strong&gt;&amp;quot;, porque querendo ou n&amp;atilde;o, tamb&amp;eacute;m houveram situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es em que &amp;eacute;ramos esse turco e eu caminhando pelas ruas de Dublin, saindo em bares, os dois ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando estive l&amp;aacute; na Turquia, pedi desculpas a ele outra vez. Sentia que de alguma maneira havia um pedido de desculpa formal que eu precisava fazer para ele, j&amp;aacute; que quando ele foi embora, por mais honesto que eu tenha sido, s&amp;oacute; fui realmente me dar conta desse padr&amp;atilde;o de rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o que eu vivia gra&amp;ccedil;as a ele. E que toda vez que pensava nele e no que passou, isso do&amp;iacute;a. Embora eu tenha tentado um &amp;quot;remember&amp;quot; enquanto estive l&amp;aacute; e ele n&amp;atilde;o quis, ele foi um amor comigo e me tratou de uma maneira muito especial. Ouvi &amp;quot;&lt;strong&gt;Just Like Old Times&lt;/strong&gt;&amp;quot; todos os dias da viagem. Ela foi a trilha sonora do meu acerto de contas com o passado. Obrigado, Natalie. Chorei bastante. Foi um &amp;quot;full circle moment&amp;quot;. Algo que eu precisava viver, e essa parte da letra ressoa profundamente: &amp;quot;&lt;em&gt;I'm not saying it's your fault (it's your fault) / It's been a lifetime building walls (building walls) / And I'm just trying to find a way to make peace with myself / With myself&lt;/em&gt;&amp;quot;. Essa m&amp;uacute;sica me ajudou a fazer as pazes com ele e, ao mesmo tempo, comigo mesmo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu acho que &amp;eacute; isso. Toda vez que escuto Natalie Imbruglia, vem um filme na minha mente, de todos esses anos em que ela foi respons&amp;aacute;vel pela trilha sonora de v&amp;aacute;rios momentos importantes para mim. Justamente agora eu estava ouvindo algumas m&amp;uacute;sicas e, bom, &amp;eacute; muito estranho e diferente viajar pelo tempo enquanto voc&amp;ecirc; escuta m&amp;uacute;sicas que marcaram sua vida. Voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; esse certo artista que participou de tantos momentos importantes, tantas m&amp;uacute;sicas que te trazem tantas lembran&amp;ccedil;as e, ao mesmo tempo, voc&amp;ecirc; se permite viajar em emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es que te conectam com tempos diferentes de voc&amp;ecirc; mesmo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, como diria a pr&amp;oacute;pria Natalie Imbruglia: nesse exato momento, quanto mais eu me conhe&amp;ccedil;o, &lt;em&gt;&amp;quot;nothing is fine and torn. I am all out of faith, and this is how I feel.&lt;/em&gt;&amp;quot;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez seja algo moment&amp;acirc;neo, mas talvez esse seja o caminho. E como a Natalie canta no seu cover de &amp;quot;&lt;strong&gt;The Wind&lt;/strong&gt;&amp;quot;: &amp;quot;&lt;em&gt;Where I'll end up well I think / Only God really knows...&lt;/em&gt;&amp;quot;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=124463" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Log-in/Log-Out</title>
    <published>2025-06-17T13:40:18Z</published>
    <updated>2025-06-17T13:40:18Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p data-start="257" data-end="653"&gt;Atualmente, pela primeira vez em muito tempo, me encontro em uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de autoan&amp;aacute;lise muito mais forte do que em outros momentos da minha vida. Mesmo nos anos de terapia ou quando comecei a estudar minha complicada rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o e proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o durante a pandemia, nunca me senti t&amp;atilde;o introspectivo e anal&amp;iacute;tico a cada movimento que eu fazia. Sinto que dessa vez tem sido um pouco diferente.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="655" data-end="1897"&gt;Tudo desencadeou com meu &amp;uacute;ltimo t&amp;eacute;rmino, mas j&amp;aacute; faz algum tempo que venho pensando em como minhas emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es andam &amp;agrave; flor da pele devido &amp;agrave; dificuldade que tenho de me relacionar com o ambiente e as pessoas ao meu redor. Alguns dos primeiros sinais surgiram quando comecei a me questionar por que o Th&amp;eacute;o, meu ex, n&amp;atilde;o tinha a mesma responsabilidade ou liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o celular dele que eu. Mesmo que talvez o motivo pelo qual ele ignorasse minhas mensagens fosse outro, a verdade &amp;eacute; que isso tamb&amp;eacute;m me inspirou a querer ficar menos conectado. Afinal, n&amp;atilde;o &amp;eacute; de hoje que vejo como minhas horas na internet v&amp;ecirc;m me afetando. A prova de que tenho tentado mudar isso foi ter sa&amp;iacute;do do Twitter/X, que at&amp;eacute; antes da compra pelo Elon Musk, foi minha rede social favorita por anos, e onde encontrei, talvez, as melhores pessoas que conheci em minha vida. Muitas, inclusive, mantenho at&amp;eacute; os dias de hoje. E ainda que eu tenha trocado o X pelo BlueSky, a verdade &amp;eacute; que toda e qualquer rede social, ou a necessidade de estar l&amp;aacute; para postar algo e me sentir validado, foi o pontap&amp;eacute; para eu tentar uma cura. E aqui estou, enfrentando um dilema de como uso redes sociais, meu celular e aplicativos de pega&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como gosto de chamar apps no estilo Grindr, Tinder e afins.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="1899" data-end="2656"&gt;A verdade &amp;eacute; que as redes sociais foram o maior suporte que tive durante minha descoberta, aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e sa&amp;iacute;da do arm&amp;aacute;rio. Ainda consigo me lembrar do Gustavo do passado, l&amp;aacute; em Inhapim, triste, sentindo-se um p&amp;aacute;ssaro fora do ninho, at&amp;eacute; que a chegada do MSN e Orkut mudou completamente a forma como eu me relacionava com o mundo. Eu j&amp;aacute; n&amp;atilde;o estava mais sozinho, eu podia estar em qualquer lugar, sem precisar sair do meu quarto. E assim tamb&amp;eacute;m era com as pessoas do outro lado da tela. Quantas pessoas incr&amp;iacute;veis eu conheci nesse caminho. Pessoas que me ajudaram a segurar a barra do medo de n&amp;atilde;o me sentir aceito pelo que eu era no mundo real. A internet era o lugar onde eu tinha voz e podia ser quem eu era. E assim foi por muito tempo. Mas as coisas mudaram...&lt;/p&gt;&lt;p data-start="2658" data-end="3095"&gt;Hoje, as redes sociais se tornaram um neg&amp;oacute;cio rent&amp;aacute;vel, onde o produto s&amp;atilde;o meus dados, utilizados para criar an&amp;uacute;ncios personalizados. Algoritmos foram criados com base na psique humana, com estudos comprovados que nos fariam passar o maior tempo poss&amp;iacute;vel nessas redes para que pud&amp;eacute;ssemos, de alguma forma, gerar mais dinheiro para os investidores. Perde-se o sentido de se conectar. Cria-se a necessidade de estar ali por outros motivos.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="3097" data-end="3649"&gt;Do lado do usu&amp;aacute;rio das redes sociais, ou melhor dizendo, do lado humano da coisa, tamb&amp;eacute;m tudo foi ladeira abaixo. Nos tornamos mais f&amp;uacute;teis, mais competitivos, vivemos momentos fakes em busca dos likes e de mostrar um estilo de vida melhor do que o do seu vizinho, al&amp;eacute;m de toda a toxicidade dos coment&amp;aacute;rios e da influ&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica, num mundo cada vez mais polarizado entre &amp;quot;eles vs. n&amp;oacute;s&amp;quot;, e por a&amp;iacute; vai. E eu n&amp;atilde;o posso culpar apenas as redes sociais nesse aspecto, j&amp;aacute; que isso tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; parte da natureza humana. Somos literalmente um &amp;quot;povo de contenda&amp;quot;.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="3651" data-end="4113"&gt;E &amp;eacute; justamente essa &amp;quot;natureza&amp;quot; que compartilho com meus semelhantes que eu venho tentando tanto entender, para que o mundo externo n&amp;atilde;o me fa&amp;ccedil;a questionar diariamente o quanto eu odeio meu corpo, ou os motivos pelos quais acredito que n&amp;atilde;o me encaixo nos padr&amp;otilde;es X ou Y de beleza. Tamb&amp;eacute;m pela triste realidade de que eu n&amp;atilde;o me sinto completo, e de que eu queira ter algu&amp;eacute;m para, mais que nada, me validar por tudo aquilo que n&amp;atilde;o aprendi ou recebi ao longo da vida.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="4115" data-end="4501"&gt;Tenho vivido nessa espiral de &amp;quot;por favor me ame&amp;quot; e &amp;quot;eu sei que a qualquer momento que voc&amp;ecirc; descobrir quem eu realmente sou, voc&amp;ecirc; vai embora&amp;quot; por tantos anos. Mesmo tendo muita ci&amp;ecirc;ncia de todos esses bloqueios emocionais &amp;mdash; gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; ajuda de terapia e estudos &amp;mdash;, ainda n&amp;atilde;o consegui sair de dentro dessa bola de neve. Mas agora venho tentando novas ferramentas para tentar quebrar o ciclo.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="4503" data-end="5169"&gt;Entender como essas redes sociais impulsionam minha constante necessidade de valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s de encontros casuais com pessoas que nem querem realmente saber quem sou, ou est&amp;atilde;o em n&amp;iacute;veis de consci&amp;ecirc;ncia ainda mais primitivos que o meu, e portanto n&amp;atilde;o conseguiriam me enxergar de alguma forma, j&amp;aacute; &amp;eacute; um come&amp;ccedil;o. S&amp;oacute; de perceber isso j&amp;aacute; &amp;eacute; um passo. Mas tamb&amp;eacute;m reconhe&amp;ccedil;o que n&amp;atilde;o posso culpar o outro, j&amp;aacute; que na grande maioria das vezes, sou eu quem n&amp;atilde;o me permito ser visto. A dura realidade &amp;eacute; que apenas eu tenho o poder e devo decidir como e quando me relacionar, e talvez por isso, confiar que o algoritmo do Tinder e afins vai me trazer um pr&amp;iacute;ncipe encantado &amp;eacute; balela.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="5171" data-end="5290"&gt;Ali&amp;aacute;s, o pr&amp;iacute;ncipe encantado tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o existe. E descobrir e rever toda essa idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem sido um processo doloroso.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="5292" data-end="6588"&gt;O &amp;quot;homem ideal&amp;quot; que eu sonho &amp;eacute; uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o social mais antiga do que minha chegada ao mundo, e ele &amp;eacute; mostrado na nossa sociedade atrav&amp;eacute;s de livros, filmes e outras formas de entretenimento. &amp;Eacute; o pr&amp;iacute;ncipe que salvou a Cinderela da Madrasta. Que beijou a Branca de Neve. Que encontrou a Rapunzel. &amp;Eacute; o &amp;quot;Sr. Vivemos Felizes para Sempre&amp;quot;. E mesmo sabendo que essa pessoa n&amp;atilde;o existe, eu involuntariamente a projeto em cada homem que jamais me iria querer, que eu vejo. E por que justamente os homens indispon&amp;iacute;veis? Porque, na verdade, eu n&amp;atilde;o quero algo real. Eu quero a fantasia. Se isso se torna real, a pessoa come&amp;ccedil;aria a me conhecer de verdade, e iria descobrir que, no fundo, eu ainda me acho tudo aquilo que fui ensinado: que sou feio, que minha orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sexual &amp;eacute; errada, que as pessoas jamais me amariam como eu sou. E por isso, toda vez que eu come&amp;ccedil;o a me relacionar e tenho que deixar a pessoa me conhecer a fundo, meus mecanismos de defesa e minha ansiedade gritam mais alto para que eu fa&amp;ccedil;a algo que a afaste. Mas se a pessoa parece imposs&amp;iacute;vel de alcan&amp;ccedil;ar, &amp;eacute; como uma luta onde sei que irei perder &amp;mdash; mas s&amp;oacute; o fato de ela me ver, e a possibilidade de ser aceito por quem eu sempre sonhei que me aceitasse, ainda que por um breve momento, me validaria como a minha crian&amp;ccedil;a interior sonhava.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="6590" data-end="6889"&gt;Todo esse processo &amp;eacute; desgastante, mas escrev&amp;ecirc;-lo, nome&amp;aacute;-lo e ter um pouco de no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tudo isso que me afeta me permite agora come&amp;ccedil;ar a planejar uma forma de mudar as coisas. Sem tentar me machucar muito. Sem machucar os outros. Afinal, eu n&amp;atilde;o quero fazer com ningu&amp;eacute;m o que poderia ser feito comigo.&lt;/p&gt;&lt;p data-start="6891" data-end="7378"&gt;Eu entendi que, antes de buscar um relacionamento, preciso primeiro aceitar minha vulnerabilidade e n&amp;atilde;o escond&amp;ecirc;-la, como se fosse algo feio. Porque n&amp;atilde;o &amp;eacute;. Assim como minha gordura abdominal que nunca vai embora tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o deveria ser. Assim como minha calv&amp;iacute;cie tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o. Ou qualquer outra coisa que fuja do que a sociedade espera de mim, n&amp;atilde;o &amp;eacute; algo que eu deveria me envergonhar. Eu sou muito mais do que os algoritmos tentam prever ou do que meu humor autodepreciativo tenta esconder.&lt;/p&gt;&lt;p data-sourcepos="5:1-5:392"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p data-start="7380" data-end="7789"&gt;E eu quero novamente pedir perd&amp;atilde;o ao meu eu interior que n&amp;atilde;o foi amado, que n&amp;atilde;o se sentia aceito, e dizer para ele (o Gustavo de, sei l&amp;aacute;, 10 anos de idade), que ele vai conquistar muita coisa um dia. Porque, de certa forma, eu j&amp;aacute; conquistei. E talvez o amor de outra pessoa n&amp;atilde;o seja isso &amp;mdash; n&amp;atilde;o agora &amp;mdash; e nem precisa ser. Eu preciso me amar primeiro. E eu o farei. Tenho que aprender, mas eu vou me amar muito!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=124295" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Travessia</title>
    <published>2025-06-09T20:28:46Z</published>
    <updated>2025-06-09T20:28:46Z</updated>
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    <content type="html">&lt;div&gt;Tenho tanta coisa pra escrever e falar sobre o que venho aprendendo nos &amp;uacute;ltimos tempos, que &amp;agrave;s vezes fica dif&amp;iacute;cil resumir. Mas digamos que eu n&amp;atilde;o venho me reconhecendo. Posso dizer que ando num per&amp;iacute;odo de travessia, onde eu mesmo nem sei descrever o que sinto. Diariamente, vem uma ang&amp;uacute;stia, uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de caos interno &amp;mdash; mas com um reconhecimento: talvez, ap&amp;oacute;s atravessar essa tempestade, eu consiga me abrir pro que realmente desejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;Eacute; assim que venho me sentindo desde o t&amp;eacute;rmino com o Theo... Tentando entender por que venho sempre repetindo os mesmos padr&amp;otilde;es em relacionamentos, e como eu permito que a &amp;ldquo;mesma pessoa&amp;rdquo;, que vai embora ap&amp;oacute;s pouco tempo, seja justamente a que eu escolho. Bom, na verdade, eu j&amp;aacute; reconhe&amp;ccedil;o diversos padr&amp;otilde;es que repito, mas &amp;eacute; como se eu estivesse num looping de becos sem sa&amp;iacute;da.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me entender &amp;eacute; algo complicado, e por mais que eu tenha feito anos de terapia e consiga fazer uma an&amp;aacute;lise honesta dos meus sentimentos, existem partes de mim que ainda n&amp;atilde;o consigo enxergar direito. A palavra que mais marcou esses &amp;uacute;ltimos meses foi &lt;strong&gt;vulnerabilidade&lt;/strong&gt;, porque eu n&amp;atilde;o sei me sentir assim. Ou melhor: eu n&amp;atilde;o gosto de mostrar esse meu lado. Mas aprendi que &amp;eacute; preciso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E n&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s de posts em redes sociais pra que isso vire um espet&amp;aacute;culo &amp;mdash; como talvez eu tenha feito quando era mais jovem &amp;mdash; mas ser vulner&amp;aacute;vel aceitando que sofrer n&amp;atilde;o &amp;eacute; fraqueza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Paralelamente a tudo isso, estou em busca de uma vida menos negativa. Quero me sentir menos manipulado, menos influenciado por redes sociais ou por aplicativos que prometem a entrega do &amp;ldquo;homem ideal&amp;rdquo; &amp;mdash; esse que, agora entendo, &amp;eacute; uma idealiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o vai se concretizar. N&amp;atilde;o existe pessoa ideal al&amp;eacute;m de uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o social e das proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es que eu alimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois de perceber como as redes sociais e os aplicativos de paquera se alimentam do meu eu vulner&amp;aacute;vel, vendendo promessas falsas ou me jogando pra baixo at&amp;eacute; que eu me sinta um lixo e volte pra eles em busca de um al&amp;iacute;vio, decidi aprender e tocar o barco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Confesso que ainda &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil. N&amp;atilde;o consigo deletar o Tinder, o Hinge e o Instagram. Mas j&amp;aacute; exclu&amp;iacute; v&amp;aacute;rios outros e coloquei restri&amp;ccedil;&amp;otilde;es de uso nesses que sobraram. Tamb&amp;eacute;m ando com um celular &amp;ldquo;detox&amp;rdquo;, sem apps instalados ou notifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es a cada 3 segundos me puxando de volta pro buraco do doomscrolling.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer forma, ainda n&amp;atilde;o encontrei algo que me d&amp;ecirc; prazer suficiente pra substituir essas horas nas redes sociais. &amp;Eacute; um processo. Escrever &amp;agrave; m&amp;atilde;o, desenhar, jogar videogame, aprender um idioma... talvez essas sejam algumas das coisas que eu precise tentar. Mas reconfigurar o c&amp;eacute;rebro pra trocar o prazer r&amp;aacute;pido por algo que exige presen&amp;ccedil;a &amp;eacute; mais dif&amp;iacute;cil do que eu pensava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem, o intuito desse post &amp;eacute; me deixar um lembrete:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu estou passando por um processo de crescimento do qual preciso me orgulhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estar sozinho, me conhecendo de verdade, &amp;eacute; melhor do que transar com um aleat&amp;oacute;rio que vai me fazer sentir como lixo descart&amp;aacute;vel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Prazer mesmo &amp;eacute; estar numa companhia que n&amp;atilde;o me fa&amp;ccedil;a implorar pra ser amado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero aprender a usar meu tempo com coisas positivas, que me deem prazer de estar vivo &amp;mdash; e n&amp;atilde;o mais ansiedade ou medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida passa r&amp;aacute;pido demais. E eu j&amp;aacute; tenho 33 anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar de que falta menos de um m&amp;ecirc;s pro meu renascimento (pelo menos, de acordo com os documentos oficiais espanh&amp;oacute;is).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem sabe eu n&amp;atilde;o renas&amp;ccedil;a com uma nova consci&amp;ecirc;ncia sobre o mundo que eu quero?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=124149" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Will you come and see me, if I go now?</title>
    <published>2025-04-21T21:40:11Z</published>
    <updated>2025-04-21T21:40:11Z</updated>
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    <content type="html">&lt;div&gt;11 dias desde o fim do relacionamento, e o texto que escrevi anteriormente ficou apenas no rascunho &amp;mdash; at&amp;eacute; eu lembrar de postar hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse fim de semana, fui a um show em Perpignan, na Fran&amp;ccedil;a, de um artista que, em teoria, eu jamais teria conhecido se n&amp;atilde;o fosse pelo Th&amp;eacute;o. E, claro, eu precisei ir. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; pelo show, mas pra aliviar o peso de ficar procurando um culpado. Porque, como eu j&amp;aacute; disse a mim mesmo, n&amp;atilde;o faz sentido culpar os franceses, os geminianos, os twinks, ou o mundo inteiro pelo meu medo de ser vulner&amp;aacute;vel e n&amp;atilde;o conseguir fazer uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dar certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dia ap&amp;oacute;s dia, as coisas v&amp;atilde;o se organizando dentro de mim. Ainda sinto tristeza, ainda h&amp;aacute; um buraco na cabe&amp;ccedil;a, mas estou conseguindo enxergar melhor. Tenho refletido muito sobre a minha rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a vulnerabilidade, e sobre o quanto me sinto p&amp;eacute;ssimo por demonstrar tristeza &amp;mdash; ou at&amp;eacute; mesmo por senti-la. Eu tenho medo da tristeza. Porque ela me isola. E muitas vezes, eu senti que precisava me isolar pra que ningu&amp;eacute;m visse a dor que eu carregava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa dor, l&amp;aacute; atr&amp;aacute;s, era o peso de viver dentro do arm&amp;aacute;rio. E acho que acabei levando esse medo pra todas as outras &amp;aacute;reas da minha vida. O medo do abandono, do julgamento&amp;hellip; e ent&amp;atilde;o eu tento mascarar tudo isso. S&amp;oacute; que eu n&amp;atilde;o quero mais cair na mesma tristeza de antes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O desafio agora &amp;eacute; encontrar um equil&amp;iacute;brio: entender onde posso ser vulner&amp;aacute;vel e triste sem sentir vergonha disso, sem medo de parecer fraco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De toda forma, esse processo todo &amp;mdash; essa an&amp;aacute;lise constante, essa forma como estou lidando com o fim desse relacionamento &amp;mdash; tem me mostrado o quanto eu evolu&amp;iacute;. Quando me comparo ao Gustavo de, sei l&amp;aacute;, seis anos atr&amp;aacute;s, vejo crescimento. E isso &amp;eacute; &amp;oacute;timo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;N&amp;atilde;o que seja perfeito. Eu ainda busco valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o em homens aleat&amp;oacute;rios nos aplicativos de relacionamento. Mandei mensagem pro Th&amp;eacute;o durante o show, tentando for&amp;ccedil;ar uma amizade. Em troca, recebi aquela mesma resposta morna, um dia depois &amp;mdash; o que s&amp;oacute; confirmou que ele continua o mesmo. Ali&amp;aacute;s, encontrei com ele hoje na academia. Conversamos um pouco. E talvez seja efeito do Citalopram, mas pela primeira vez eu consegui olhar pra ele e entender, no rosto dele, o motivo pelo qual a gente n&amp;atilde;o se encaixava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, claro, agora que estou sozinho em casa, o fantasma do vazio volta a cutucar. Acho que faz parte do processo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda assim, dia ap&amp;oacute;s dia, isso vai saindo de mim. Os questionamentos da minha mente &amp;mdash; que quer controlar tudo &amp;mdash; n&amp;atilde;o v&amp;atilde;o cessar t&amp;atilde;o cedo. E talvez esteja na hora de eu parar de comprar distra&amp;ccedil;&amp;otilde;es tecnol&amp;oacute;gicas e finalmente investir em terapia. Parar de me esconder das situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que v&amp;ecirc;m caminhando ao meu lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A hora &amp;eacute; de aprender a estar vulner&amp;aacute;vel, de verdade. E de buscar menos valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o externa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Porque eu n&amp;atilde;o preciso me sentir s&amp;oacute; s&amp;oacute; porque estou sozinho.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=123826" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Théo ou não Théo, eis a questão</title>
    <published>2025-04-21T21:12:50Z</published>
    <updated>2025-04-21T21:12:50Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;Quatro dias desde o fim do relacionamento. E hoje, ironicamente, estar&amp;iacute;amos completando quatro meses juntos. O que isso significa? Essencialmente, nada. Eu n&amp;atilde;o estava plenamente feliz. N&amp;atilde;o era o que eu quero pra mim.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Ent&amp;atilde;o por que estou triste? Porque, em alguns momentos, penso que talvez n&amp;atilde;o devesse ter acabado. Porque n&amp;atilde;o consigo simplesmente deixar ir. Preciso aprender a viver o luto das coisas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quanto mais reflito, mais percebo que foi uma decis&amp;atilde;o certa e necess&amp;aacute;ria. Eu n&amp;atilde;o posso aceitar menos do que mere&amp;ccedil;o. Pessoas incr&amp;iacute;veis precisam estar com quem as preencha por inteiro. E &amp;eacute; isso que eu mere&amp;ccedil;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu nem sentia ci&amp;uacute;mes do Th&amp;eacute;o, mas agora fico com a cabe&amp;ccedil;a cheia, imaginando se ele j&amp;aacute; conheceu outra pessoa, se est&amp;aacute; em uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o melhor&amp;hellip; enquanto eu mal consigo engatar uma conversa no Tinder. Por que eu n&amp;atilde;o aprendo a ficar sozinho por um minuto? Qual &amp;eacute; a minha dificuldade em n&amp;atilde;o precisar de um cara pra me validar?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vem a frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o ego ferido&amp;hellip; Mas por que eu deveria odiar algu&amp;eacute;m que simplesmente n&amp;atilde;o conseguiu suprir minhas expectativas? Por que culpar uma nacionalidade, um signo, uma desculpa qualquer pra me sentir menos frustrado com expectativas que eu mesmo criei? As pessoas n&amp;atilde;o foram feitas pra atender nossas proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;mdash; e seria extremamente egoc&amp;ecirc;ntrico da minha parte culpar o Th&amp;eacute;o por n&amp;atilde;o fazer o que eu queria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sim, ontem eu mandei uma mensagem pra ele, dizendo que ele pode contar comigo como amigo. Eu n&amp;atilde;o o odeio. N&amp;atilde;o tenho raiva. Me decepcionei com o jeito dele, e foi isso que levou ao nosso t&amp;eacute;rmino. E tudo bem. Ou talvez ainda n&amp;atilde;o esteja, mas eu sei que vai ficar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agora, eu preciso organizar meu quarto, a minha bagun&amp;ccedil;a... e aliviar um pouco da confus&amp;atilde;o que anda dentro da minha cabe&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=123486" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>GUS - THÉO</title>
    <published>2025-04-10T12:02:22Z</published>
    <updated>2025-04-10T12:03:46Z</updated>
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    <dw:mood>melancholy</dw:mood>
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    <content type="html">&lt;p data-start="118" data-end="254"&gt;E, mais uma vez, repetindo o ciclo dos &amp;uacute;ltimos anos, chega ao fim mais um dos meus relacionamentos &amp;mdash; sempre no per&amp;iacute;odo de mar&amp;ccedil;o/abril.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="256" data-end="687"&gt;A conversa com o Th&amp;eacute;o n&amp;atilde;o poderia ter sido mais f&amp;aacute;cil. Deixei que ele falasse primeiro, e, no fim, ele basicamente disse tudo o que eu precisava dizer. Reconheceu que a forma como ele agia n&amp;atilde;o era a melhor para mim, mas tamb&amp;eacute;m admitiu que n&amp;atilde;o conseguiria mudar. E, al&amp;eacute;m disso, disse que, para ele, o sentimento inicial havia evolu&amp;iacute;do mais para um lado de amizade. Acho que essa foi a mais pura verdade. Honesto, direto e sincero.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="689" data-end="1001"&gt;Ele tamb&amp;eacute;m repetiu o que o Dmitri disse no ano passado: que eu sou uma pessoa especial, que ele se sentia bem ao meu lado, que fui incr&amp;iacute;vel na hist&amp;oacute;ria dele... S&amp;atilde;o palavras que ainda tenho dificuldade de associar a mim, mas, ao mesmo tempo, o t&amp;eacute;rmino foi amistoso. Ent&amp;atilde;o, talvez haja um pouco de verdade nelas.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1003" data-end="1394"&gt;Mas, sendo rancoroso e egoc&amp;ecirc;ntrico como sou, &amp;eacute; inevit&amp;aacute;vel que eu tente invalidar tudo isso. N&amp;atilde;o posso evitar a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que ele disse essas coisas agora, justamente quando acabou de se mudar para uma nova casa, onde vai morar sozinho, poder&amp;aacute; receber quem quiser, viver novas experi&amp;ecirc;ncias &amp;mdash; experi&amp;ecirc;ncias que n&amp;atilde;o ser&amp;atilde;o ao meu lado. Como se eu tivesse sido apenas uma mini escada para ele.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1396" data-end="1829"&gt;Mas, &lt;strong data-start="1401" data-end="1465"&gt;eu sei que n&amp;atilde;o estaria feliz se tiv&amp;eacute;ssemos continuado assim.&lt;/strong&gt; Mesmo com os pequenos benef&amp;iacute;cios de estar com ele, de ocupar um cantinho na vida dele, n&amp;atilde;o haveria paz em saber que ele jamais poderia me responder quando eu precisasse. Que ele n&amp;atilde;o estaria presente nos momentos importantes. Que nos finais de semana ele sempre buscaria uma desculpa para n&amp;atilde;o fazer nada comigo. E eu n&amp;atilde;o mere&amp;ccedil;o isso. &lt;strong data-start="1799" data-end="1827"&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; isso que eu quero.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p data-start="1831" data-end="2033"&gt;Preciso me lembrar: &lt;strong data-start="1851" data-end="1958"&gt;eu quero ser desejado. Eu quero ser amado. Eu quero algu&amp;eacute;m que fa&amp;ccedil;a tempo para mim, que mova montanhas.&lt;/strong&gt; Porque existe uma intensidade que eu nunca vivi, e eu &lt;strong data-start="2013" data-end="2024"&gt;preciso&lt;/strong&gt; disso.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2035" data-end="2318"&gt;&lt;em data-start="2035" data-end="2082"&gt;&amp;quot;A gente troca o pneu com o carro a 200km/h.&amp;quot;&lt;/em&gt; E eu preciso de algu&amp;eacute;m que entenda isso. Preciso do desejo ardente, do sexo bom, com gosto de quero mais. E ele n&amp;atilde;o era capaz de me proporcionar isso. Assim como o Dmitri n&amp;atilde;o foi. Assim como o Daan n&amp;atilde;o foi... Assim como poucos foram.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2320" data-end="2477"&gt;Hoje estou tomado por &lt;strong data-start="2342" data-end="2360"&gt;mixed feelings&lt;/strong&gt;. Mas n&amp;atilde;o me sinto derrotado.&lt;br data-start="2389" data-end="2392" /&gt; Me sinto sozinho, &lt;strong data-start="2410" data-end="2426"&gt;mas aliviado&lt;/strong&gt;.&lt;br data-start="2427" data-end="2430" /&gt; Me sinto triste, &lt;strong data-start="2447" data-end="2474"&gt;mas feliz porque tentei&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p data-start="2479" data-end="2638"&gt;Eu sei que ainda h&amp;aacute; muito em mim para ser trabalhado. Mas vou seguir em frente.&lt;br data-start="2558" data-end="2561" /&gt; Vou torcer por ele. &lt;strong data-start="2581" data-end="2636"&gt;Mas, acima de tudo, vou continuar tentando por mim.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=123234" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>2½</title>
    <published>2025-02-24T13:49:12Z</published>
    <updated>2025-02-24T13:49:12Z</updated>
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    <content type="html">Dois meses e meio de relacionamento, e ainda me pego todos os dias tentando me afastar da ideia de viver algo que parece t&amp;atilde;o simples para a maioria das pessoas. Frequentemente, questiono se n&amp;atilde;o estou repetindo os mesmos padr&amp;otilde;es dos &amp;uacute;ltimos anos, me envolvendo com algu&amp;eacute;m que, no fim das contas, n&amp;atilde;o me completa 100%. Mas ser&amp;aacute; que existe mesmo essa completude total, e ser&amp;aacute; justo esperar que ela venha do outro, e n&amp;atilde;o de mim? Eu sei a resposta. E &amp;eacute; exatamente por isso que continuo tentando. N&amp;atilde;o posso responsabilizar ningu&amp;eacute;m pelos meus traumas, e sei que, se eu desistir agora, seria pura autossabotagem. Ainda preciso dar uma chance, mas, &amp;agrave;s vezes, &amp;eacute; t&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste fim de semana, aconteceu algo que me incomodou de verdade, mas decidi evitar drama e joguinhos. Simplesmente segui em frente, porque &amp;agrave;s vezes preciso esquecer que estou em um relacionamento para n&amp;atilde;o ceder aos desejos do meu ego &amp;ndash; como agir de forma impulsiva e ferir o Franc&amp;ecirc;s com a arrog&amp;acirc;ncia que tamb&amp;eacute;m habita em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse choque cultural acaba servindo de desculpa, porque sei que, mesmo que estivesse me relacionando com um brasileiro, os problemas tamb&amp;eacute;m existiriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Agrave;s vezes, tamb&amp;eacute;m surgem desconfian&amp;ccedil;as: ser&amp;aacute; que ele est&amp;aacute; me traindo? E, no fundo, n&amp;atilde;o &amp;eacute; como se eu me importasse tanto... Parece at&amp;eacute; que eu quero que isso aconte&amp;ccedil;a, s&amp;oacute; para ter uma desculpa para terminar de vez ou, quem sabe, sugerir que abramos o relacionamento at&amp;eacute; que a conviv&amp;ecirc;ncia se esgote e tudo termine de forma amig&amp;aacute;vel, como aconteceu com o Holand&amp;ecirc;s em 2022.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que seria t&amp;atilde;o mais f&amp;aacute;cil se tudo simplesmente se encaixasse. N&amp;atilde;o quero ter que tentar tanto, mas tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o quero me moldar aos padr&amp;otilde;es de relacionamento que vejo por a&amp;iacute;. Tamb&amp;eacute;m sei que n&amp;atilde;o posso exigir que algu&amp;eacute;m viva de acordo com as minhas vontades... Isso n&amp;atilde;o seria justo. Ali&amp;aacute;s, eu tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o estou sendo 100% honesto. Escrevo aqui todas as minhas inseguran&amp;ccedil;as, mas n&amp;atilde;o as comunico claramente a ele &amp;ndash; se &amp;eacute; que deveria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... Acho que o jeito &amp;eacute; seguir vivendo esse relacionamento um dia de cada vez, tentando processar tudo at&amp;eacute; que ele se canse, ou eu me canse, ou at&amp;eacute; que a gente finalmente engrene e aprenda a valorizar o que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim seguimos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=122340" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>GUSTHÉO</title>
    <published>2025-01-14T11:43:10Z</published>
    <updated>2025-01-14T12:07:33Z</updated>
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    <content type="html">Aconteceu... No &amp;uacute;ltimo s&amp;aacute;bado, finalmente realizei um dos programas que tanto queria fazer com o franc&amp;ecirc;s: sair por a&amp;iacute; e mostrar a ele lugares que eu gosto em Barcelona, tentando apresentar um pouco mais do meu mundo. Foi um passeio muito especial, embora, em alguns momentos, isso tenha me lembrado que j&amp;aacute; fiz o mesmo antes com o russo ou com o holand&amp;ecirc;s... Mas, como dizem, &lt;em&gt;third time is a charm&lt;/em&gt;.&lt;p&gt;Em um momento, est&amp;aacute;vamos sentados na praia, conversando sobre a vida e compartilhando nossas experi&amp;ecirc;ncias com ex ou com pessoas que conhecemos. Eu expliquei ao Theo (sim, agora o franc&amp;ecirc;s ser&amp;aacute; chamado pelo nome) que, na cultura brasileira, quando estamos saindo com algu&amp;eacute;m, h&amp;aacute; v&amp;aacute;rias formas de definir uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por&amp;eacute;m, um namoro s&amp;oacute; &amp;eacute; oficial quando h&amp;aacute; um pedido, geralmente feito por uma das partes. E ent&amp;atilde;o, inesperadamente, ele perguntou: &lt;em&gt;Would you like to be my boyfriend?&lt;/em&gt; Foi um dos momentos mais inusitados da minha vida, mas veio com uma paz t&amp;atilde;o grande, sabe? Sem toda aquela cerim&amp;ocirc;nia que um dia imaginei, mas foi lindo, espont&amp;acirc;neo e fofo... E, obviamente, eu disse SIM.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;img src="https://gustavo.dreamwidth.org/file/1495.jpg" width="300" height="400" alt="" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, aconteceu. Depois de 33 anos e algumas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es que come&amp;ccedil;aram sem nenhum pedido formal, eu finalmente recebi meu primeiro pedido de namoro. E veio de um franc&amp;ecirc;s. De Lyon. Sabe, toda aquela hist&amp;oacute;ria relacionada ao outro franc&amp;ecirc;s do passado j&amp;aacute; n&amp;atilde;o tem mais impacto na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o que estou vivendo agora. S&amp;atilde;o pessoas totalmente diferentes, e eu gosto muito mais do que estou vivendo no presente. Ainda que minha cabe&amp;ccedil;a tenha dificuldade em aceitar que o amor n&amp;atilde;o precisa doer. Que eu n&amp;atilde;o preciso enfrentar perrengues, sofrer, chorar, criar dramas, ou me encaixar em padr&amp;otilde;es de relacionamento que outras pessoas possuem. Eu s&amp;oacute; preciso viver o momento &amp;ndash; e &amp;eacute; exatamente isso que estou fazendo agora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda n&amp;atilde;o consegui vencer 100% os pensamentos que me levam a imaginar finais tr&amp;aacute;gicos, mas estou t&amp;atilde;o mais leve do que quando comecei a escrever sobre o Theo aqui que... nossa, que al&amp;iacute;vio. Apesar de ainda haver coisas a ajustar, estou muito feliz por ter ao meu lado um menino t&amp;atilde;o lindo e fofo. Agora, &amp;eacute; esperar para ver aonde isso vai nos levar, mas farei o poss&amp;iacute;vel para que sejamos felizes.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=121957" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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    <title>Profecia de 2025</title>
    <published>2025-01-06T10:40:47Z</published>
    <updated>2025-01-06T10:40:47Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;2025 acaba de come&amp;ccedil;ar, e eu n&amp;atilde;o poderia estar mais feliz pelo momento que estou vivendo. Este &amp;eacute; um texto para agradecer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda que haja muitas incertezas sobre o que o futuro reserva, eu escolho viver o presente. Chega de focar em um futuro ca&amp;oacute;tico. A mudan&amp;ccedil;a &amp;eacute; a &amp;uacute;nica constante na vida, e nada nunca ser&amp;aacute; exatamente como planejamos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje, eu estou feliz porque estou superando um trauma ao lado de uma pessoa que tem sido tudo o que eu esperava h&amp;aacute; muito tempo. Estou me permitindo viver, sentir e acreditar novamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha carreira profissional segue est&amp;aacute;vel, meu ciclo de amizades &amp;eacute; consolidado e lindo, e, aos poucos, consigo aceitar melhor o meu corpo. Fiz as pazes com o meu passado e acredito em um futuro onde a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos meus sonhos &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existe muito mais por acontecer e por vir. Seja bom comigo, 2025! Eu quero acreditar, e sei que ser&amp;aacute; incr&amp;iacute;vel!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="https://www.dreamwidth.org/tools/commentcount?user=gustavo&amp;ditemid=121762" width="30" height="12" alt="comment count unavailable" style="vertical-align: middle;"/&gt; comments</content>
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